Revista Saúde Perss
CAPA
Rad-Med
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dr. Carlos Mário Mello de Souza
Radiologia
CRM 52 32139-2
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
VACINAS EM DIABÉTICOS: O QUE DEVO SABER?
O diabetes é um importante problema de saúde pública, devido a alta prevalência (8-10% da população), altos custos do tratamento, e o risco de graves complicações. Destacamos dentre outras: doenças cardiovasculares (infarto, AVC, insuficiência cardíaca) e complicações microvasculares da doença (cegueira, doença renal crônica, amputações), que não só aumentam o risco de morte, como afetam a vida produtiva e a qualidade de vida do indivíduo.

Além destas complicações, salientamos o risco aumentado de infecções, que tendem a ser ainda mais graves do que na população não diabética, e resultam em aumento da taxa de internações hospitalares e do risco de morte. Não obstante, as infecções resultam em piora do controle glicêmico, interferindo negativamente no manejo da doença. A prevenção de infecções na população em geral envolve uma série de medidas, tais como: cuidados de higiene (lavar mãos, tomar banho, alimentar-se bem...), medidas políticas-sociais (saneamento básico, coleta e despejo adequados do lixo, despoluição ambiental...), dentre outras.

Uma forma simples, acessível e essencial de prevenção de infecções é a aplicação de vacinas, que estão disponíveis no meio público e privado, e são capazes de evitar doenças com alto grau de morbidade e mortalidade, tais como: pneumonia, gripe, hepatites, meningite, dengue, febre amarela e outras. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) disponibiliza em seu site (www.sbim.org.br) o calendário de vacinações em diferentes faixas etárias e situações, podendo ser acessada por qualquer indivíduo de forma gratuita. As vacinas são medidas de suma importância nos pacientes diabéticos. Devido ao maior risco e gravidade de infecções, a manutenção do calendário vacinal deve ser encorajada nestes indivíduos. Infelizmente, este não é o cenário que observamos em nosso meio. Para ilustrar esta constatação, destacamos um estudo nacional que observou uma taxa de cobertura vacinal em indivíduos diabéticos muito abaixo da recomendada (apenas 27,5% para pneumonia e hepatite, e 14,5% para gripe), aumentando o risco destas doenças infecciosas.

Algumas dúvidas acerca da vacinação em diabéticos são frequentes nos consultórios médicos e merecem destaque:

Quais as principais vacinas que devem ser tomadas por diabéticos? Assim como na população não diabética, todas as vacinas do calendário vacinal estão recomendadas (ex: tétano, caxumba, BCG...), respeitando-se as contraindicações habituais. Destacamos algumas vacinas capazes de prevenir doenças graves, tais como: hepatite B, pneumonia e meningite, que devem ser tomadas pelos indivíduos diabéticos, assim como, pela população em geral.

O diabético deve tomar vacina de gripe? Geralmente realizada em campanhas vacinais do Ministério da Saúde, é capaz de proteger contra alguns vírus comuns e de alto risco, e sua composição é modificada anualmente. Desta forma, mesmo tomando a vacina no ano anterior, está indicada a aplicação nos anos subsequentes. As indicações da vacina de gripe incluem alguns grupos específicos, tais como: crianças e pessoas com mais de 60 anos, gestantes, profissionais de saúde e portadores de doença crônica, tais como os diabéticos. Desta forma, existe indicação formal para vacinação de gripe anual em todos os pacientes com diabetes.

Pode tomar vacina de Febre Amarela? Por ser composta de vírus vivos atenuados, indivíduos com importante comprometimento da imunidade podem apresentar complicações graves da vacina. Um estudo comprovou ser segura a aplicação da vacina em indivíduos diabéticos, sem maior risco de efeito adverso em comparação aos não-diabéticos. Desta forma, deve-se respeitar as contraindicações habituais da vacina, estando autorizada na maioria dos diabéticos, mas fazendo-se uma ressalva àqueles pacientes com grau de debilidade imunológica grave, onde a vacina está contraindicada. Uma nota técnica sobre este tema foi emitida pela Sociedade Brasileira de Diabetes e pode ser acessada gratuitamente em www.diabetes.org.br.

É verdade que existe vacina que cura o diabetes? Algumas publicações de internet remetem a aplicação da vacina BCG à cura do diabetes. Infelizmente, esta informação é falsa. Trata-se de uma terapia, ainda em fase experimental, restrita ao diabetes tipo 1, e que ainda, não está disponível para esta finalidade. Nos próximos anos, novidades a esse respeito podem surgir, mas por ora, não há qualquer terapia destinada a cura do diabetes, e sim, voltada ao seu controle.

Prevenir infecções é de suma importância nos pacientes diabéticos. A atualização do calendário vacinal é uma medida eficaz no alcance deste objetivo e está recomendada. Converse com seu médico.

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