Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
Revista Saúde Perss
Dr. Walid Ibrahim Khenaifes
Urologista
CRM 52 24727-6
Formado pela FMC
walidkhenaifes@hotmail.com
RELAÇÃO ENTRE: DISFUNÇÃO ERÉTIL (DE) X E DOENÇA CARDIOVASCULAR (DCV)
      A disfunção erétil tem fatores de risco similares aos das doenças cardiovasculares, mas também, pode ser um fator de risco independente pra tais doenças. As evidências atuais consideram a disfunção erétil como uma desordem primordialmente de origem vascular e, mais do que isso, como um marcador precoce das doenças cardiovasculares. Apesar disso, o potencial da disfunção erétil como um sinal para alertar os médicos para uma possível manifestação precoce de doenças cardiovasculares mais graves tem sido pouco explorado na prática clínica diária.

      A DE é definida como a incapacidade de obter ou manter uma ereção suficiente para um ato sexual satisfatório, é uma condição muito frequente, tendo a idade como seu principal fator de risco. Dados nacionais indicam uma prevalência global de 53% com predomínio proporcionalmente maior nos idosos. As DCV da mesma forma são mais prevalentes nos idosos.

       Há uma nítida correlação entre os fatores de risco comum para DE e DCVs, tais como: idade, tabagismo, diabetes, obesidade, dislipidemia e hipertensão. Até há pouco tempo, prevalecia a idéia de que DE e DCV apenas compartilhavam fatores de risco e causas subjacentes similares. Entretanto, atualmente há um acúmulo cada vez maior de evidências mostrando que a DE é na verdade uma manifestação precoce de DCV tendo como base a disfunção endotelial.

       O objetivo deste artigo é avaliar o papel da DE como manifestação precoce de DCV, enfatizando a necessidade de rever a forma de interpretar a DE e utilizar esta patologia como uma ferramenta para a prevenção de eventos cardiovasculares maiores.

       O denominador comum na fisiopatologia da DE e da DCV é a insuficiência vascular promovida pela arteriosclerose.

       Há vários estudos, como exemplo: 19% dos pacientes com DE de origem vascular sem outros sintomas, tinham DAC silenciosa documentada angiograficamente.

       DE é um fator de risco significativo e independente para futuros riscos cardiovasculares.

       Foram avaliados 3 grupos de homens com DE: um grupo de diabéticos, um de hipertensos e outro sem fatores clássicos de risco cardiovascular. Os 2 primeiros apresentaram um fluxo peniano reduzido e o outro com fluxo normal, mas os 3 já tinham disfunção endotelial e aterosclerose. A conclusão é a de que a DE é uma manifestação extremamente precoce de insuficiência vascular futura, manifestada antes mesmo da diminuição do fluxo sanguíneo. Portanto risco significativamente aumentado para angina, infarto do miocárdio e AVC quando comparados aos pacientes sem DE.

       Quanto maior a duração da DE, maior a chance desses pacientes experimentarem um evento cardiovascular.

        A DE é de maior magnitude que história familiar precoce de DAC, tabagismo ou hipercolesterolemia.

        Considerando a aterosclerose como fator vascular primordial em DE e DCV foi proposta a ideia de que as artérias do pênis sofreriam obstrução por placa aterosclerótica de forma mais precoce do que as artérias coronárias ou carótidas, uma vez que o diâmetro das artérias penianas é menor (1-2mm) comparado com o das coronárias (3-4mm)  ou carótidas (5-7mm). Sendo assim, seria lógico pensar que a DE seria sintomática antes de um evento cardiovascular. A DE pode preceder um evento cardiovascular em até 5 anos.

        Há evidências também que a severidade da DE esteja relacionada com o número e a gravidade de envolvimento das artérias coronárias com aterosclerose.

     O tratamento agressivo para diminuir os níveis de LDL, usando estatinas, mostrou uma melhora na função erétil em três pesquisas clínicas recentes. Na hipercolesterolemia, o colesterol LDL oxidado prejudica o relaxamento do endotélio; e os radicais livres que são formados inativam o óxido nítrico, importante vasodilatador. O uso de estatinas e inibidores da fosfodiesterase-5 pode reduzir a morbilidade cardiovascular.

      A DE é um fator muito útil para alertar sobre o melhor momento de iniciar uma investigação cardiovascular mais detalhada e práticas de prevenção. A identificação precoce de pessoas em risco para DCV é vital para o manejo efetivo dessa condição. Há consenso de que os indivíduos com DE deveriam ser investigados para fatores de risco cardiovasculares e ser alvo de estratégias preventivas.

      É comum em nosso meio que os pacientes não relatem espontaneamente ao médico sua queixa de DE, assim como não é hábito da maioria dos médicos no Brasil o questionamento de rotina sobre a função sexual de seus pacientes. No entanto, com as crescentes evidências que elevarem a importância clínica da DE para uma patologia que além de simplesmente afetar a sexualidade, vem consolidando-se como um preditor precoce de doenças cardiovasculares. Deve-se estimular os médicos a questionar o paciente sobre problemas de ereção, pois essa é uma ótima oportunidade de investigar e tratar precocemente possíveis doenças cardiovasculares. 

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