Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Jodinéa Melo Maurício Cesário
Pediatra e Médica do Trabalho
CRM 52 7572-76
Revista Saúde Perss
Dr. Frederico Cesário
Otorrinolaringologista
CRM 52 67317-0
Especialização em otorrinolaringologia na UNIRIO
fredericocesario@yahoo.com.br
TRABALHO NOTURNO E OBESIDADE
        Não é novidade para o meio científico e a sociedade em geral que o sobrepeso e a obesidade são importantes questões de saúde pública. Além dos diversos problemas de saúde associados com essas condições, como maior risco para doenças cardiovasculares e metabólicas, como infarto e diabetes, a prevalência mundial da obesidade dobrou entre 1980 e 2014. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2014 mais de 1,9 bilhões de pessoas com idade igual ou superior a 18 anos estavam com sobrepeso, e destes, 600 milhões eram obesos. Nesse mesmo ano, estimou-se que 24% das mulheres e 17% dos homens adultos no Brasil apresentavam índice de massa corporal - IMC igual ou superior à 30, configurando quadro de obesidade.

        A principal causa do ganho de peso e obesidade é o desequilíbrio energético entre o consumo e o gasto calórico. Este desequilíbrio pode estar associado a diversos comportamentos, como: inatividade física, horários irregulares para alimentação e consumo de alimentos hipercalóricos. Alguns destes comportamentos são resultados do ambiente e atividades sociais exercidas pelo indivíduo. O tipo de atividade ocupacional no emprego, bem como o turno de trabalho e carga horária, são importantes fatores que interferem na regulação do ganho de peso. De fato, é possível encontrar na literatura diversos estudos que investigam quais características ocupacionais estão associadas com as alterações metabólicas presentes em quadros de obesidade e os possíveis efeitos deletérios para a saúde. A relação metabolismo e trabalho por turno noturno e/ou alternado, como a jornada de 12h x 36h noturnas, vem sendo explorada devido a desregulação do ritmo circadiano presente nessas condições. ritmicidade circadiana são: as flutuações fisiológicas e comportamentais que acontecem ao longo das 24h. Estes ritmos permitem ao organismo antecipar e responder às mudanças ambientais, sincronizando os ritmos endógenos com ciclo claro-escuro (dia-noite), principal organizador temporal. O ser humano é um animal de hábito diurno, portanto o nosso organismo está preparado para realizar atividades de vigília (estar acordado) durante o dia (período de luz) e dormir à noite. A desregulação do ritmo circadiano ocorre quando os ritmos endógeno e ambiental não estão sincronizados, por exemplo: quando estamos acordados no período em que todo o organismo está preparado para dormir. trabalhadores por turno noturno sofrem os efeitos crônicos da desregulação circadiana em diversos parâmetros da saúde. E os perfis da jornada de trabalho em turno, que são mais associados com os prejuízos metabólicos, estão sob crescente investigação.

         Um estudo, investigou as características ocupacionais associadas ao ganho de peso e obesidade em trabalhadores por turno na área da aviação. O estudo demonstrou uma elevada prevalência de sobrepeso na população investigada, 53% e 14% dos pilotos de aviação no Brasil apresentam quadros de sobrepeso e obesidade, respectivamente. Ao analisar quais características da jornada de trabalho poderiam estar associadas com o ganho de peso, os dados demonstram que trabalhar no turno noturno por 6 a 10 anos, e ter dificuldades em relaxar após o trabalho, foram fatores de risco para excesso de peso. Ainda a obesidade foi associada com sono inadequado nos dias de folga (<6h) e inatividade física, independentemente da idade, estado civil e nível educacional.

         Devido aos problemas de saúde que podem ser desencadeados em quadros de obesidade, o estudo alerta para cuidado com a saúde da população. A desregulação crônica do ritmo circadiano, como acontece em trabalhadores noturnos e a falta de sono podem ser o passaporte para o ganho de peso corporal.

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