Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Jodinéa Melo Maurício Cesário
Pediatra e Médica do Trabalho
CRM 52 7572-76
Revista Saúde Perss
Dr. Felipe Montes Pena
Cardiologista
CRM 52.81912-3
Especialista em Cardiologia pela Universidade Federal Fluminense
fellipena@yahoo.com.br
MEDICINA PERIOPERATÓRIA: CIRURGIAS ELETIVAS NO PACIENTE TABAGISTA
         O tabagismo é uma das principais causas de mortes evitáveis no mundo. Nos últimos anos, felizmente, está havendo um grande combate em relação ao marketing desse produto – proibição de comerciais e campanhas com fotos estampadas nos maços – e dificultando seu consumo, por exemplo, leis com proibição de cigarro em locais fechados e aumento de impostos sobre o produto, resultando em aumento do preço ao consumidor.

Cirurgia como ponto de inflexão

         Há momentos na vida que nos tornam mais suscetíveis a mudanças concretas em sua rotina: o nascimento de um filho, casamento, perda de um ente querido e…uma cirurgia.

         O ato operatório em si, sobretudo, quando uma intervenção relacionada ao hábito de fumar, pode causar uma reflexão no paciente e fazer com que ele procure mudanças em seus hábitos. Quem nunca se deparou com a situação de indivíduo ex-fumante que relaciona essa conquista a uma cirurgia de revascularização ou quando fez o cateterismo pela primeira vez?

         Complicações respiratórias podem acontecer após qualquer tipo de cirurgia ou até no pós-operatório. É importante que o médico identifique pacientes com risco de desenvolver complicações respiratórias e interfira nos fatores de risco para preveni-las. O cigarro interfere na oxigenação do sangue, porque a nicotina reduz o diâmetro dos vasos sanguíneos e dificulta a distribuição de oxigênio e nutrientes às células pela corrente sanguínea. O resultado disso é a piora do processo de cicatrização e maior risco de infecção. Fumar também aumenta o risco de hérnias após a cirurgia.

Manejo pré-operatório

         Quando a cirurgia for eletiva, devemos tentar com que o paciente pare de fumar o quanto antes. Vários estudos foram feitos no sentido de tentar buscar um ‘período de ouro’ em relação a esse tempo, mas não há um número mágico. Observa-se que com a meta de 8 semanas de intervalo, atingimos um padrão razoável. Contudo, sabemos que nem sempre é possível alcançar essa meta. Por isso, deve-se se tentar qualquer período de tempo na premissa de quanto mais, melhor!

Manejo no paciente internado

         Boa parte dos doentes, infelizmente, realizarão a internação ainda fumando e; de maneira brusca, terão a necessidade de cessar o uso, uma vez que os hospitais são ambientes livres de cigarro.

      Esse momento é mais uma oportunidade de oferecer ao doente tratamento direcionado a cessação do seu vício e alertá-lo sobre situações que irá enfrentar durante o momento que ficará internado, sobretudo os períodos de abstinência.
 
Manejo pós-operatório

         Pela possibilidade maior de eventos adversos nessa população, deve-se ter um seguimento mais frequente desse doente. Naqueles que cessaram tabagismo para operar, acompanhe, realize o acompanhamento clínico no sentido de tentar manter o doente livre do cigarro.

Conclusão

         Além dos fatores prejudiciais à saúde, o cigarro também compromete a recuperação do paciente, impedindo a oxigenação do fluxo sanguíneo e diminuindo a efetividade do processo de cicatrização dos tecidos. Além disso, o paciente fica suscetível a problemas com a metabolização de drogas anestésicas, assim como, aumenta a incidência de embolias e trombose.

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