Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
Revista Saúde Perss
Dra. Mariana Berlink
Pediatria e Neonatologia
CRM 52 88154-6
Residência em Neonatologia no Instituto Fernandes Figeira-RJ
marianaberlink@hotmail.com
O RISCO DO USO DOS SABONETES ANTISSÉPTICOS
Todo mundo sabe que lavar as mãos não é apenas uma questão de higiene, mas também de saúde. Mas qual sabonete utilizar? Tenho recebido no consultório muitos pacientes em uso diário de sabonetes antissépticos, desses que prometem eliminar 99,9% das bactérias da pele, inclusive na hora do banho dos bebês. Quantas mamães já utilizaram tais sabonetes pensando estar protegendo seus filhos? Mas será que realmente estamos mais seguros usando esses produtos? A resposta é não!

        Recentemente, em 2016, a agência americana de medicamentos e alimentos (FDA) proibiu a utilização de 19 produtos químicos nos sabonetes antibacterianos comercializados no país, entre eles, os famosos triclosan (sabonete líquido) e triclocarban (sabonete em barra). A proibição se deu pelos riscos que tais sabonetes podem causar à saúde, como resistência bacteriana (as bactérias mais “fracas” são eliminadas e as mais “fortes” sobrevivem) dificultando a ação de antibióticos convencionais quando necessário, e até o desenvolvimento de problemas hormonais (ainda em estudo). Cerca de 40% dos produtos não médicos que estão no mercado contêm ao menos um dos ingredientes proibidos, os fabricantes terão que se adaptar às novas regras. A proibição não inclui gel antisséptico, lenço umedecido, nem produtos antibacterianos utilizados em hospitais e centros de saúde.

         Um estudo publicado em uma importante revista médica, “ The Journal of Antimicrobial Chemotherapy”, mostrou que estes sabonetes não oferecem nenhuma vantagem quando comparados aos sabonetes comuns. Outro artigo publicado em 2007 na revista “Clinical Infectious Disease”, avaliou 27 estudos que compararam produtos contendo triclosan ao sabonete comum. E descobriu que as pessoas não eram menos vulneráveis a diarréia, tosse, febre e infecções se usassem sabonetes com a substância química.

         Outros problemas relacionados à exposição prolongada e indiscriminada aos sabonetes antissépticos são o maior ressecamento da pele, a alteração do pH da pele e a maior susceptibilidade a alergias e dermatites. Devemos ter consciência de que hábitos realizados desde a infância podem trazer consequências para toda a vida. Em caso de afecções cutâneas, tais sabonetes devem ser prescritos pelo médico e seu uso deve ser feito pelo tempo determinado.

         A pele é a principal barreira de defesa do corpo, ela age como uma “capa de proteção” contra fungos, bactérias, produtos químicos, físicos e mesmo fatores ambientais, e está em constante renovação. A flora da pele também é constituída por milhares de bactérias, fungos e protozoários não-patogênicos, e tais micro-organismos são essenciais para a manutenção de uma pele saudável. Eles são responsáveis por produzir vitaminas, são antibióticos naturais e facilitam a absorção de nutrientes transformados na pele. Eles agem protegendo o organismo contra a invasão de germes nocivos, causadores de infecções e outras doenças. Dessa forma, a higiene deve ser feita com produtos neutros para evitar a degradação dessa flora tão necessária para o equilíbrio do organismo.

Outro cuidado importante para a saúde é a hidratação da pele, que também deve ser feita com produtos próprios para cada tipo de pele. Mas é sempre importante lembrar que a melhor forma de hidratar a pele é de dentro para fora, bebendo água! Outros cuidados que devem ser tomados desde a infância para se ter uma pele saudável são uma dieta rica em frutas e verduras, evitar a exposição excessiva ao sol, e evitar o uso de buchas, banhos muito quentes e prolongados, e inclusive, o uso excessivo de sabonetes, mesmo os comuns.

         Uma flora cutânea harmônica é essencial para a nossa saúde. Lavar as mãos com água e sabão comum é um dos passos mais importantes para a prevenção de doenças. A utilização do álcool gel à 70% também é um forte aliado nesse combate. Segundo a OMS é possível reduzir em até 40% a incidência de infecções e doenças como: diarreia, resfriados e conjuntivite, apenas com a lavagem das mãos com água e sabão comum, já que as mãos são o principal veículo de transmissão de vírus e bactérias. Lavar as mãos podem salvar vidas. 

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