Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
HIPOGLICEMIA NO DIABÉTICO: COMO EVITAR?
A hipoglicemia é a complicação aguda mais frequente do diabetes, e consiste em um dos principais fatores limitantes do seu tratamento, pois importante parcela de pacientes diabéticos, ao experimentar um quadro de queda da glicose, reduz a adesão à terapia ou até mesmo, a suspende, visando “proteger-se” de um novo episódio.

Hipoglicemia significa a redução dos valores de glicose no sangue. Geralmente, quando a glicose encontra-se abaixo de 70mg/dl, surgem os sinais e sintomas que a denuncia. Estes podem ser leves a moderados, tais como: tonteira, suor excessivo, dor de cabeça, visão turva, palpitações, falta de concentração e irritabilidade, ou graves, incluindo arritmias cardíacas, confusão mental, convulsão, coma ou até mesmo morte. A importância desta complicação é tamanha, que indivíduos diabéticos com quadros recorrentes de hipoglicemia apresentam taxa de mortalidade maior do que aqueles com diabetes e leve elevação da glicemia.

O reconhecimento dos sintomas por parte do paciente e familiares em ambiente domiciliar e do profissional que presta atendimento na rede de saúde, é crucial para determinar o imediato tratamento, visando restabelecer o controle glicêmico e reduzir os riscos à saúde.

Vários são os fatores que contribuem para o risco de hipoglicemia em pacientes com diabetes: omissão de refeições ou dieta irregular, uso inadvertido ou em doses excessivas de determinados medicamentos ou de insulina, má adesão ao tratamento proposto, prática excessiva ou não programada de exercícios, presença de outras doenças associadas (insuficiência renal, insuficiência adrenal, doença celíaca...) e ingestão de bebidas alcoólicas são os principais fatores relacionados. A adoção de medidas para reduzir o risco de hipoglicemia resulta em melhores resultados do tratamento e deve ser sempre recomendada. Tais medidas incluem:

Reconhecimento precoce e tratamento da hipoglicemia: orientar os principais sinais e sintomas de alarme, estimular a monitorização da glicemia através de aparelhos eletrônicos disponíveis e ensinar como tratar esta complicação são passos fundamentais no tratamento do diabetes.

Dieta regular: faz parte do tratamento comer diariamente em intervalos regulares e em quantidades equilibradas, visando evitar períodos de jejum prolongado, de excessos ou carências alimentares. Manter um bom padrão dietético evita graves oscilações dos níveis de glicose, que são deletérios à saúde. Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas também é fundamental, pois além de deletério a inúmeros órgãos e sistemas, promove redução da produção de glicose pelo fígado, e reduz a percepção dos sintomas de hipoglicemia, aumentando o risco desta complicação e tornando-a mais grave.

Programação de exercícios: a prática de atividades físicas é recomendada e benéfica para a maioria dos pacientes diabéticos. Porém pacientes, sobretudo usuários de insulina, podem necessitar realizar ajustes temporários da terapia nos dias e horários da atividade, dependendo do horário e da carga dos exercícios a serem realizados. Os ajustes devem ser realizados de forma individualizada, e por um profissional capacitado.

Adesão ao tratamento: tomar medicamentos nas doses e horários recomendados são fundamentais. Muitas vezes, pacientes modificam por conta própria sua medicação, aumentando ou diminuindo determinados medicamentos ou tomando-os fora do horário recomendado, sem o conhecimento do médico assistente. Seguir o que é indicado na receita, bem como entrar em contato com o profissional sempre que surjam dúvidas ou efeitos indesejados do tratamento. Diminui o risco de complicações, pois permite uma tomada de conduta, muitas vezes, mais adequada. Realizar consultas regulares reforça os conceitos de um adequado tratamento, bem como: permite ajustes terapêuticos baseados na história clínica e exames laboratoriais, visando um melhor resultado.

Escolha criteriosa da medicação: determinados medicamentos resultam em risco aumentado de hipoglicemia, enquanto outros são bem mais seguros. A definição do tratamento é de responsabilidade do médico assistente, devendo-se levar em consideração diversos fatores, tais como: gravidade da hiperglicemia, comorbidades associadas e condições sócioeconômicas. Evitar o uso de medicamentos com alto risco de hipoglicemia, e utilizá-los na menor dose possível, quando necessário, são medidas muito eficazes. A presença de outras patologias que resultam em maior risco de queda da glicemia também deve ser investigada, e devidamente tratada.

        Prevenir, reconhecer e tratar adequadamente. Encarar o diabetes com seriedade é um dever do médico e do paciente, visando minimizar o risco de complicações e obter o sucesso da terapêutica.

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