Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
Revista Saúde Perss
Dra. Joyce Barreto da Silva
Ginecologista - Especialista em Fertilidade
CRM 52 90516-0
Integrante da Clinica Fertipraxis - Centro de Reprodução Humana
Capacitação em Reprodução Assistida pela Rede Lara
drajoycebarreto@gmail.com
VIDEOHISTEROSCOPIA
A videohisteroscopia é um exame que permite a visualização da cavidade uterina e sua camada interna (endométrio). É indicado para investigação de sangramentos uterinos anormais, alterações identificadas na ultrassonografia como por exemplo: espessamento do endométrio, abortamentos de repetição, infertilidade, suspeita de câncer de endométrio, suspeita de má-formações uterinas, e também, para colocação, reposicionamento ou retirada de dispositivo intra-uterino (DIU). Com isso, pode-se diagnosticar miomas, pólipos, septos uterinos, infecções, sinéquias (aderências) e realizar biópsia em lesões que sugiram doenças benígnas ou malígnas do endométrio.

O exame é realizado com a introdução de um fino equipamento de aproximadamente 4-5mm de diâmetro (histeroscópio) através do colo uterino e, com uma microcâmera conectada a este equipamento, a imagem é projetada em um monitor, o que possibilita que a paciente acompanhe o procedimento, quando este é realizado sem anestesia (sedação). Contudo, é possível realizar este procedimento com uso de sedação leve, acompanhado com um anestesista, mesmo em nível ambulatorial, o que permite maior conforto à paciente e facilita os procedimentos cirúrgicos histeroscópicos.

Após o exame, a paciente poderá retornar normalmente às suas atividades cotidianas. Cólicas leves e pequenos sangramentos vaginais são ocorrências comuns e transitórias.

Além de ser uma importante ferramenta diagnóstica, a histeroscopia é uma excelente técnica cirúrgica minimamente invasiva, muitas vezes permitindo intervenções no próprio ambulatório, ou seja, durante o procedimento de avaliação diagnóstica é possível realizar o tratamento de algumas patologias no mesmo momento, o que é conhecido como “see and treat”.

A histeroscopia cirúrgica é utilizada para biópsia endometrial permitindo a coleta de material endometrial para estudo histopatológico, para a complementação diagnóstica; através da introdução de mínimas pinças que podem colher material de uma área suspeita sob visão direta, o que permite uma maior chance de se diagnosticar as patologias.

É também muito realizada para a retirada de pólipos endometriais que são grandes responsáveis pelo sangramento uterino anormal e são tumores benignos localizados na parte interna do útero (endométrio). Eles podem ser um fator associado à infertilidade (dependendo do seu tamanho e localização) e alguns podem possuir características de malignidade, o que leva a necessidade de retirada para estudo histopatológico, sempre que encontrados.

Os miomas são tumores benígnos compostos de músculo uterino, que podem ter como sintomas principais o sangramento uterino excessivo (podendo levar a anemia), dor pélvica, dor durante a relação, compressão de órgãos adjacentes, tais como: bexiga e ureteres; entre outros. A técnica histeroscópica trouxe um grande avanço para a ginecologia, pois permite a retirada de miomas exclusivamente pela via vaginal, cirurgia esta chamada miomectomia histeroscópica.

Outro procedimento interessante que pode ser realizado através da histeroscopia cirúrgica é a ablação do endométrio como uma alternativa para a histerectomia (retirada do útero) em mulheres com sangramento uterinoexcessivo e que não apresentam doenças uterinas evidentes, com prole constituída. É realizada através da cauterização térmica da cavidade endometrial (parte mais interna do útero), e o índice de satisfação das pacientes chega a mais de 90%.

Outra condição frequentemente encontrada são as sinéquias, que são aderências das paredes endometriais, geralmente secundária aos traumas (curetagem uterina ou múltiplas manipulações da cavidade uterina) ou às infecções uterinas. Essas aderências podem constituir fator de infertilidade e dor pélvica. O tratamento consiste na lise (corte) dessas aderências, o que permite a restauração da anatomia da cavidade uterina e sua função normal.

Dessa forma, conclui-se que a videohisteroscopia é um exame de extrema importância por ser capaz de diagnosticar e tratar uma série de condições uterinas visando uma melhora da qualidade de vida da mulher.

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