Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
Revista Saúde Perss
Dr. Wellington Paes
Ginecologia & Obstetra
CRM 52 01578-4
ENTREVISTA - Dr. Wellington Paes
       No mês de abril completa 87 anos e fala com orgulho dos seus anos de experiência como médico, como um apaixonado pela história de sua cidade natal e de sua família.

SP - Dr. Wellington, conte-nos um pouco da sua história de vida. Como tudo começou?
WP - Sou casado com a Neyde Therezinha e tenho uma filha, a Caroline, hoje, minha fisioterapeuta. Costumo dizer, carinhosamente, que são as minhas meninas.
         Campista, nasci no distrito de Murundu, filho de Anna Fernandes Paes e Orbílio de Souza Paes tendo como irmãos Wilson, Washington e Ana Maria. Aos 16 anos, quando perdi meu pai, estudava no Liceu enquanto meu irmão Wilson, já estudava medicina no Rio de Janeiro. Meu irmão, meu grande ídolo, foi quem me inspirou e incentivou a seguir a carreira, inclusive, me sinto à vontade para dizer que boa parte de minhas experiências foram fruto das orientações dele, na forma humanista como lidava com os pacientes. Ele foi um excelente exemplo.

SP - Onde cursou a faculdade de medicina?
WP - Cursei a faculdade de medicina em Niterói, na Faculdade Fluminense de Medicina, atual UFF, após ter estudado no Educandário Rui Barbosa, nas Laranjeiras e no Curso Galloti, um curso preparatório para o vestibular. Me formei em 1958, fazendo 60 anos de formado esse ano.

SP - O senhor retornou à Campos logo após a conclusão do curso?
WP - Não, quando acabei a faculdade de medicina, morei por dois anos no Instituto Nacional do Câncer, na Praça Cruz Vermelha, onde fiz residência médica com especialização em radioterapia.
         Após a residência fui trabalhar na Fábrica de Cimento Paraíso, em Italva, onde morava e lá, atendia às famílias, crianças, adultos e fiz alguns partos.
         Somente em 1963 voltei para Campos e fui trabalhar com meu irmão, Dr. Wilson Paes em sua clínica, na Rua Treze de Maio e no Hospital dos Plantadores de Cana, onde atuo até os dias atuais fazendo preventivos em ginecologia.
         Nos anos seguintes prestei concurso para o Sandu (Federal) e para o INAMPS, quando trabalhei no Posto Mário Caldas.

SP - O que podemos destacar na sua história com a medicina em Campos?
WP - Orgulho-me em dizer que em 1967 fiz parte da equipe médica que criou o SOB – Serviço Obstétrico da Beneficência Portuguesa. Eram meus pares os doutores Wilson Paes, Luiz Carlos Silva, Neuza Nogueira Gomes, Hélio Tavares, Aluísio Gomes de Souza, José Augusto Lima Santos, Luis Maurício Tavares Crespo e os pediatras Henrique de Souza Oliveira, Mariângela Dutra e Carlos Eduardo Paes Teixeira. Na época, a procura era grande e realizávamos mais de 10 partos num prazo de 24 horas. Com um outro grupo de médicos, criamos no final da década de 60 o Edifício Pedra Verde como espaço para os nossos consultórios.

SP - Sua história de dedicação com a medicina também inclui lecionar?
WP - Sim, lecionei na Faculdade de Medicina de Campos, mas para isso em 1973 estudei e me dediquei na preparação para a prova de título de especialização em ginecologia e obstetrícia (TEGO)

SP - O senhor atua como médico?
WP - Sou muito realizado pelos partos que fiz, mas hoje, não atuo mais com obstetrícia. Hoje trabalho no Hospital Plantadores de Cana e no CEU (Centro Especialização da Unimed), em ambos, fazendo preventivos em ginecologia.

SP - Qual é o seu olhar sobre a medicina, a ginecologia e obstetrícia dos dias atuais?
WP - Atualmente, a área da ginecologia e obstetrícia está muito complicada por conta da tentativa de redução do número de cesarianas, para atender a uma exigência do governo, uma decisão que cabe ao médico que está acompanhando o histórico da paciente, a situação no momento. Há também àqueles que incentivam o parto a ser acompanhado, filmado. Discordo, no centro cirúrgico devem estar: o médico, uma equipe reduzida e a paciente, nada mais.

SP - O senhor é conhecido e valorizado não só por sua história como médico, mas também, por ser um guardião das memória de nossa cidade. Fale aos nossos leitores sobre esse seu hobby.
WP - Não me considero um homem de cultura, não sou historiador, não sou poeta.  Escrevi livros relativos às pesquisas que realizei, como no final do ano 2000 coordenei o livro “Os 80 anos de história da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia”. Dez anos depois me convidaram para escrever sobre os anos que faltavam. Então, sobre minha coordenação foi publicado o livro “Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia – 90 anos de história” e já estão me perguntando sobre a possibilidade de complementar a obra. Em parceria com o Dr Walter Siqueira, publiquei vários trabalhos e livros sobre a medicina e médicos de Campos.
         O meu amor pela cidade me estimula a preservar sua história, mas também sacio minha vontade não só de ler as obras dos nossos autores campistas, como tê-las em minha biblioteca.  Minha biblioteca contempla temas bastante variados como: medicina, direito, música, teatro, esportes, poetas e prosadores, jornais, revistas...

SP - Como surgiu a ideia de organizar um acervo sobre a história da planície goitacá?
WP - Foi o meu colega de escola, o professor Walter Siqueira, meu grande incentivador na área cultural, na década de 80. Também o Pedro Manhães, Latour Aroeira e a Academia Pedralva de Letras os que me ajudaram com o acervo. Eu recebia livros que vinham do Rio de Janeiro dos autores campistas. Em 2 ou 3 anos eu já estava com uma boa biblioteca. O Francisco Carvalho também foi um incentivador e quando ele faleceu, sua esposa me doou parte de seu acervo.

SP - O senhor ainda hoje recebe doações de obras? Como organiza seu acervo?
WP - Recentemente recebi parte dos acervos do jornalista e escritor Sílvio Fontoura e de Godofredo Tinoco. Eu mesmo cuido de limpá-los, restaurá-los e catalogá-los.

SP - Dr. Wellington, sua ligação com a literatura é responsável por suas indicações e participações nas Academias Literárias de nossa região.
WP - Sou membro da Academia Campista de Letras, cadeira 3 (Anfilóquio de Lima), membro da Academia Pedralva de Letras e Artes, cadeira 39, (Thiers Cardoso) e do Instituto Histórico de Campos, ocupando a cadeira 28, de José Alexandre Teixeira de Melo, de quem guardo os livros originais, seus poemas datados de 1858.

SP - Destaque para nós alguma obra que tenha escrito e tenha o marcado?
WP - O livro “Lions Clube de Campos – 50 anos de vivência leonística – 1957/2007”. Este livro me marcou muito. Foi um longo período de encontros semanais em minha casa, com três amigos: Dr. Walter Siqueira, Elbert Tavares e meu irmão Wilson Paes. Terminamos o livro no final de 2008, aproximadamente há 10 dias da partida do Wilson. Considero que foi a despedida do meu irmão, meu ídolo, meu mestre e meu melhor amigo.

SP - Podemos observar em seu olhar e em suas palavras o brilho de uma pessoa feliz?
WP - Sim, me considero uma pessoa realizada com minhas meninas, com meus irmãos Washington (Engenheiro) e Ana Maria (irmã Salesiana), com os partos que realizei que trouxeram alegrias para muitas mães e como guardião da memória campista. Como disse meu amigo Dr. Walter Siqueira (Otorrino), ironizando a minha disfemia, eu sou um a...pa...apa...apaixonado pela   história de Campos!  

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