Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Rejane Teixeira de Azevedo
Farmacêutica
CRF 13824
Revista Saúde Perss
Dr. Joguimar Moreira dos Santos
Ginecologista, obstetra, lato sensu em sexualidade humana e mestrado em sexologia clínica
CRM 52 23623-2
Formado pela FMC
joguimarsantos@hotmail.com
POR UMA IDADE MELHOR
        A Organização Mundial da Saúde define como idoso o indivíduo, homem ou mulher, com idade acima de 60 anos. A população brasileira de idosos cresce continuamente devido a maior longevidade e menor taxa de fecundidade.

        Há uma preocupação dos antropólogos, sociólogos e educadores com a denominação das pessoas sexagenárias, ou acima, de velhos, depois idosos, e a faixa etária de terceira idade e, agora, melhor idade.

         A verdade é que lá se foi o tempo da vovó de coque, balançando numa cadeira e fazendo tricô, e do vovô sentado ao lado, de suspensórios, pitando um cachimbo e contando o que foi do dia.

         Hoje, a vovó já não usa aqueles vestidos pesados, combinação e anágua. Aderiu a destroyedes jeans; blusas transadas e calças jeans rasgadas. O vovô usa  bermudas, camisa careca e tênis coloridos. É verdade que estas mudanças foram paulatinas, mas ocorreram. Feita esta introdução vem uma pergunta: a mudança do pensamento sobre a sexualidade também foi radical? Pois é, aí que entra o nosso pensamento sobre a sexualidade na “melhor idade”.

         Quando se fala sobre sexualidade, logo vem à mente o sexo; a cópula como condição imprescindível para o prazer. Isto é genitalidade, a admissão equivocada de que somos animais irracionais. Somos seres biopsicossociais; portanto, o intercurso é apenas uma paleta, importante, do leque da sexualidade que nos abana. Sexualidade é: afeto, um modo de olhar, um jeito de sorrir, de ajeitar os cabelos, uma maneira de falar, um andar faceiro, um comportamento admirável, uma imaginação, um modo de vida. O desejo, primeira fase da resposta sexual, não nasce só pela observação de corpos bem definidos e apolínicos; mas o amor, certamente nasce do conjunto da obra.

         Eros, o cupido, não lança as suas flechas à revelia, sem critérios. Ele atende aos nossos pensamentos. Cada faixa etária tem seus critérios de escolha para amar. Os adolescentes são imediatistas e impulsivos, os adultos jovens são mais contidos, seletivos e os idosos não tendo o mesmo vigor físico destes esbarram, também, no velho tabu da “decadência sexual” da idade. É preciso conhecer as transformações orgânicas de cada faixa etária, e realizar adaptações inteligentes para se obter o máximo de prazer durante a vida. Os idosos precisam assumir o protagonismo de suas próprias histórias. Não viver oprimido pelos velhos tabus, ousar, experimentar novas atitudes para a superação de suas dificuldades. Se a ereção peniana é mais lenta e passageira, se o orgasmo feminino demora mais para chegar, estimulem-se mais e deem mais tempo para eles. Temos inúmeros recursos terapêuticos, tecnológicos e farmacológicos para auxiliar. Temos cinco sentidos para serem usados em uma relação sexual: visão, tato, audição, sabor e olfato, além da criatividade. Usem-nos. Se a relação com penetração não foi possível em determinado momento, não supervalorize isto, coisa comum, tente outra vez outro dia. Valeu os carinhos, os abraços, os beijos e a certeza de poder dizer: você é minha, eu sou seu. O gozo da relação sexual nem sempre se dá com os espasmos orgásticos e com a eliminação de sêmen. O prazer está nos seus propósitos. Na arte taoista o “rezervatus coito”, o controle sobre a ejaculação é utilizado há mais de 2000 mil anos na China. Os Master&Johnson afirmaram que: “o homem não precisa ejacular todas as vezes que ele faz amor, exceto para o momento em que ele quer ter filhos”.

         Comentando este tema Paulo Freire escreveu: “A sexualidade como caminho de alongamento de nós mesmos, de produção de vida e de existência, de gozo e de boniteza, exige de nós esta volta crítico-amorosa, esta busca de saber do nosso corpo. Não podemos estar sendo, autenticamente, no mundo e com o mundo se nós fecharmos medrosos e hipócritas aos mistérios de nosso corpo ou se os tratamos, aos mistérios cínica e irresponsavelmente”.

         Compreendemos a dificuldade que as pessoas têm em assimilar mudanças de comportamento sexuais. O conceito de relação sexual como sinônimo de coito está enraizado culturalmente, a afetividade sempre fica em segundo plano. As relações sexuais guardam diferenças entre si, os pontos erógenos são pessoais, o bom parceiro sexual é aquele que os descobre e facilita à parceira a descobrir os seus. Assim, as relações podem se tornar mais prazerosas. Muitas vezes, estas zonas de prazer não são encontradas tão exuberantemente no corpo físico, mas no afeto, na imaginação, nas fantasias tão necessárias para sexualidade sadia.

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