Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Rejane Teixeira de Azevedo
Farmacêutica
CRF 13824
Revista Saúde Perss
Valéria Mª. Martins Moraes Santos
Fonoaudióloga | Audioprotesista
CRF 4828 T/RJ-6ªR
Formada pela FAESA/ES
vendascampos@casine.com.br
DOENÇAS CORRELACIONADAS A PERDA DA AUDIÇÃO
        Grande ênfase tem sido dada à saúde auditiva nos últimos anos. É necessário que se faça visitas de rotina ao otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo para exames clínicos e avaliações auditivas. A importância dessas avaliações é de prevenir e tratar danos irreversíveis causados a audição, dificultando a comunicação e a qualidade de vida do paciente.

        Devemos ficar atentos às doenças correlacionadas a audição, tais como: diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, demência e doença de Alzheimer, entre outras...

         As perdas auditivas são duas vezes mais comuns em adultos com diabetes se compararmos a pacientes que não têm a doença. Esses pacientes apresentam dificuldades para ouvir com uma incidência maior nas altas frequências (som agudo) em ambas as orelhas. Existem evidências de que a diabetes pode levar a uma perda neurossensorial devido a danos causados no nervo e vasos sanguíneos da orelha interna provocados por alterações patológicas que estão associadas a esta condição:

Esclerose da artéria auditiva interna;
Espessamento dos capilares na estria vascular;
Atrofia do gânglio espiral;
Desmielinização do oitavo nervo;
Diabetes tipo 2 com mais prevalência.

         Outros cuidados devem-se ter na conexão entre coração e audição. Algumas doenças cardiovasculares alteram o fluxo sanguíneo e causam traumas nos vasos sanguíneos da orelha interna. A orelha interna é tão sensível ao fluxo sanguíneo que distúrbios como a perda auditiva, principalmente nas frequências mais baixas (som grave), podem ser um sinal de alerta para uma possível doença cardiovascular tais como: acidente vascular cerebral, ataques isquêmicos transitórios, doença vascular periférica, doença arterial coronariana, infarto do miocárdio.

         Estudos mostram que um sistema cardiovascular saudável tem um efeito positivo sobre a audição, havendo uma relação significativa entre o status cardiovascular e o padrão audiométrico. Há evidências substanciais de que problemas cardiovasculares impactam negativamente na audição…uma melhor saúde cardiovascular pode contribuir para uma audição saudável, especialmente, entre os idosos.

         Medicamentos e sua relação com o tratamento de câncer, quimioterapia ou radioterapia podem causar a ototoxicidade, que por consequência pode gerar uma perda auditiva temporária ou permanente, dependendo do tipo e duração do tratamento. A ototoxicidade ocasiona uma perda auditiva neurossensorial, devido às drogas e aos componentes químicos que atingem o ouvido interno, onde as células ciliadas da cóclea vibram em resposta às ondas sonoras. Além da perda auditiva, alterações podem ocorrer como: falta de equilíbrio e zumbido que é muito prevalente em pacientes com perda auditiva.

Efeitos da ototoxidade nos adultos

Efeitos físicos da perda auditiva, incluem problemas de equilíbrio e maior probabilidade de quedas, especialmente, em idosos.
A perda auditiva também tem sido correlacionada a determinadas demências e problemas cognitivos.
Consequências psicológicas, incluem: depressão, isolamento, ansiedade, raiva e baixa autoestima.
Impacto econômico, que inclui aumento da taxa de desemprego, dificuldade de permanecer no emprego ou de promoção na carreira.

Efeitos ototóxicos em crianças

A perda auditiva nas frequências altas em crianças afetam, principalmente, a compreensão de fala;
Atraso no desenvolvimento da fala e linguagem;
Impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e educacional;
Interferência no desenvolvimento psicológico.

         A demência e doença de Alzheimer também podem estar correlacionadas a perda da audição. O diagnóstico precoce da perda auditiva pode atrasar a progressão do quadro demencial, já que evidências mostram que a cada 10dB perdido da audição o risco de desenvolvimento de demência e doença de Alzheimer aumentam 20%. A perda auditiva não tratada está associada a fatores como: menor produtividade no trabalho, depressão, ansiedade, declínio cognitivo, isolamento social e familiar, quadro demencial.

         É importante firmar que não só exames auditivos devem ser feitos periodicamente; exames de rotina e visitas periódicas ao seu médico, também são muito importantes e indispensáveis. A prevenção é mais eficaz do que tratar a doença, que em alguns casos, podem ser irreversíveis.

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