Revista Saúde Perss
CAPA
Rad-Med
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dr. Carlos Mário Mello de Souza
Radiologia
CRM 52 32139-2
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
DIABETES E SUAS COMPLICAÇÕES: A PREVENÇÃO É O MELHOR TRATAMENTO
Quando pensamos em diabetes, o que imediatamente vem à nossa cabeça é a presença de altos níveis de glicose no sangue. Esta patologia, que atinge cerca de 10-12% da população mundial, muito além da elevação da glicemia, pode levar a graves complicações, que resultam em piora acentuada da qualidade de vida do indivíduo e risco aumentado de morte.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade do diabetes. Pacientes com diabetes tem maior risco de infarto e AVC, bem como maior gravidade destas complicações. A prevenção destas condições envolve muito mais do que o controle da glicose no sangue. Dieta regular, evitando a ingestão de alimentos hipercalóricos, ricos em açúcar, gordura e alimentos processados, e priorizando a ingestão de fibras, carnes magras e carboidratos complexos, é parte fundamental do tratamento. A prática de pelo menos 150 minutos de exercícios semanais também é recomendada, desde que não haja contraindicação. Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e cessar o tabagismo também resultam em importante proteção cardiovascular. Além disso, manter o adequado controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol são medidas essenciais no tratamento do diabetes, visando a redução do risco de doenças cardiovasculares. A importância destas medidas é tamanha, que a maioria dos pacientes diabéticos deve utilizar medicamentos para o colesterol, mesmo tendo o colesterol dentro da normalidade. Da mesma forma, o tratamento da hipertensão arterial deve ser mais rigoroso nos indivíduos diabéticos. Por fim, o uso de AAS, em determinados casos, também é recomendado, podendo resultar em redução do risco de doenças cardiovasculares.

Complicações oftalmológicas são muito comuns em diabéticos, e silenciosas durante anos da doença. O diabetes é a principal causa de cegueira adquirida na idade adulta. Devido ao risco de retinopatia diabética e suas consequências, todo o paciente diagnosticado com diabetes deve, anualmente e mesmo que assintomático, fazer exame de fundo de olho com um médico oftalmologista. Este rastreio já está indicado ao diagnóstico de indivíduos com diabetes tipo 2, e após 5 anos do diagnóstico do diabético tipo 1. Além do rastreio anual, manter adequados níveis de glicose no sangue e da pressão arterial são fundamentais para prevenir ou impedir a progressão da retinopatia diabética.

Estudos revelam que a doença renal do diabetes é a segunda principal causa de diálise, atrás apenas da hipertensão arterial. Esta complicação também surge silenciosamente e progride lentamente até a fase de diálise, sendo passível de prevenção. Controle adequado da glicemia e da pressão arterial são essenciais. Assim como na retinopatia, o rastreio anual desta complicação, mesmo em indivíduos assintomáticos, através da dosagem de albumina em exame de urina é mandatório. Na presença de detecção de excreção aumentada de albumina na urina, dieta com restrição de proteínas, controle estrito da pressão arterial, diabetes e colesterol, e o uso de medicamentos de uma classe específica para hipertensão, mesmo em pacientes não hipertensos, estão indicados.

Indivíduos com neuropatia e arteriopatia obstrutiva de membros inferiores apresentam risco aumentado de infecções, feridas de difícil cicatrização e amputações. O diabetes é a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores. Porém, medidas simples pelos pacientes podem resultar em importante redução do risco de amputações. Olhar os pés diariamente em busca de feridas não percebidas, micoses e calos; usar sapatos confortáveis, olhando as palmilhas antes de calçá-las; aparar os cantos das unhas com lixas, evitando cortar próximo à pele; não retirar cutículas; usar hidratante em cima e nas plantas dos pés; e evitar andar descalço são medidas fáceis de fazer e que resultam em redução acentuada do risco de amputações. Assim como nas complicações anteriores, manter o adequado tratamento do diabetes e da pressão arterial são fundamentais. Elevação do colesterol e tabagismo aumentam em muito o risco de amputações em indivíduos diabéticos, devido a obstrução das principais artérias dos membros inferiores, e devem ser combatidos efusivamente.

        Em suma, tratar o diabetes requer uma visão ampla, que vai muito além do adequado controle da glicose no sangue. Reduzir o risco de complicações graves da doença requer dieta regular, prática de exercícios, combate ao etilismo e tabagismo, uso regular de medicação, controle paralelo da pressão arterial e do colesterol, exames laboratoriais regulares e rastreio anual de complicações, mesmo em indivíduos diabéticos que não tenham qualquer sintoma. Uma abordagem multiprofissional, envolvendo diferentes especialidades, muitas vezes é necessária. Visite regularmente seu médico e tenha uma vida mais saudável. A prevenção é o melhor tratamento das complicações diabéticas.

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