Revista Saúde Perss
CAPA
Rad-Med
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dr. Carlos Mário Mello de Souza
Radiologia
CRM 52 32139-2
Revista Saúde Perss
Dra. Daniela Silva Pais Lourenço
Pneumologia Pediátrica
CRM 52 89641-1
Residência em pneumologia pediátrica - UNICAMP-SP
danielasilvapais@gmail.com
ASMA NA CRIANÇA
A asma é uma doença heterogênea, que afeta mais de 20% das crianças e 10% dos adultos, resultante da interação do complexo genético (vários fenótipos) e ambiental (irritantes, infecção e alérgenos), caracterizada por uma inflamação crônica, que está associada com hiperresponsividade brônquica (HRB), contração do músculo liso e espessamento da parede vias aéreas inferiores, que resulta em estreitamento do calibre dos brônquios com limitação ao fluxo de ar e sintomas variáveis de falta de ar, tosse e chiado no peito. Apresenta elevadas taxas de hospitalização no mundo, com prejuízo importante na qualidade de vida dos pacientes.

Lactentes e crianças pré-escolares com chiado recorrente apresentam evoluções variadas, o risco de persistência da asma até a idade adulta aumenta com a gravidade da doença, a presença de atopia, tabagismo e gênero feminino. As principais características que têm sido utilizadas para prever se a sibilância recorrente na criança irá persistir na vida adulta são as seguintes: diagnóstico de eczema nos três primeiros anos de vida; pai ou mãe com asma; diagnóstico de rinite nos três primeiros anos de vida; sibilância sem resfriado (virose); e eosinofilia sanguínea > 3% (na ausência de parasitoses).

Infecções virais, como: vírus sincicial respiratório e rinovírus, coexistindo ou não com infecções bacterianas podem causar exacerbações da asma. Um crescente corpo de evidências sugerindo que existe uma infecção crônica ou subaguda de bactérias atípicas, tais como: mycoplasma pneumoniae e chlamydophila pneumoniae pode ser responsável pelo não controle da asma em alguns pacientes.

O diagnóstico clínico da asma apresenta-se com dispneia, tosse crônica, sibilância. Os sintomas pioram geralmente à noite, e a melhoram após o uso de medicações de resgate (B2 agonista de curta).

A espirometria é o exame que: estabelecer o diagnóstico; documentar a gravidade da obstrução ao fluxo aéreo; e monitorar o curso da doença e as modificações decorrentes do tratamento. A resposta ao broncodilatador é considerada significativa e indicativa de asma quando o VEF1 (volume de fluxo expiratório força no primeiro segundo) aumenta, pelo menos: 200 mL e 12% de seu valor pré-broncodilatador, ou quando aumenta 200mL de seu valor pré-broncodilatador e 7% do valor previsto. Lembrando que uma espirometria normal não exclui o diagnóstico de asma, pois crianças com sintomas intermitentes ou asma controlada geralmente têm espirometria inteiramente normal antes do uso de broncodilatador. O diagnóstico de asma em crianças até os 5 anos deve ser baseado, principalmente, em aspectos clínicos diante das dificuldades de se obter medidas objetivas que o confirmem. Geralmente, a espirometria só é possível de realizar em crianças acima de 5 anos.

O tratamento atual da asma consiste basicamente de corticosteróides e / ou beta2-agonistas e impede apenas parcialmente as exacerbações da asma.

Corticóides inalatórios são o tratamento de escolha para asma, pois são muito eficazes na supressão da inflamação. No paciente com asma grave, que apresenta falta de resposta aos corticosteróides, é importante investigar outros fatores como: adesão à medicação; comorbidades (doença do refluxo gastroesofágico/ rinite/ sinusite/ apneia obstrutiva do sono e obesidade); excluir tabagismo e exposição contínua a alérgenos.

Novas terapêuticas para asma grave têm surgido, como por exemplo, o uso de macrolídeos em dose baixa; o qual tem se mostrado eficaz, bem tolerado e seguro na asma. Em adição às suas propriedades antibacterianas existe sua ação anti-inflamatória/ imunomoduladora, podendo ser uma alternativa na asma. Eles inibem a produção de muco e a expressão da molécula de adesão das células epiteliais, e diminuem a produção de citocina pró-inflamatória por monócitos, melhoram a função dos macrófagos pulmonares e o transporte mucociliar. Os macrolídeos apresentam atividade antimicrobiana contra agentes patogênicos intracelulares, chlamydophila pneumoniae e mycoplasma pneumoniae, ambos associados com a patogênese da asma.

Há mais de 50 anos a terapêutica da asma tem sofrido poucas inovações, a busca de novos tratamentos tem sido uma constante, que poderá maximizar essa terapêutica.

Referências bibliográficas:

1- Chung KF, Wenzel SE, Brozek JL, Bush A, Castro M, Sterk PJ et al. International ERS/ATS guidelines on definition, evaluation and treatment of severe asthma. European Respiratory Journal 2014 43:2 (343-373). 
2- Reiter J, Demirel N, Mendy A, Gasana J, Vieira ER, Colin AA, Quizon, 
Forno E. Macrolides for the long-term management of asthma-A meta-analysis of randomized clinical trials. Allergy: European Journal of Allergy and Clinical Immunology 2013 68:8(1040-1049).
3- Lin S-J, Lee W-J, Liang Y-W, Yan D-C, Cheng P-J, Kuo M-L. A
 Azithromycin inhibits IL-5 production of T helper type 2 cells from asthmatic children. International Archives of.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.