Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
COLESTEROL ALTO: UM PERIGO SILENCIOSO
         As doenças cardiovasculares (infarto, AVC) são a principal causa mundial de mortalidade e perda de anos de vida por improdutividade, principalmente, em países em desenvolvimento, como o Brasil. Você sabia que a elevação do colesterol (dislipidemia) é considerada o principal fator de risco tratável das doenças cardiovasculares? E que a maioria dos indivíduos com distúrbios do colesterol ou não, sabem que são dislipidêmicos, ou apesar de saberem, não estão tratados adequadamente?

         Cerca de 20% da população apresenta aumento dos níveis sanguíneos de colesterol. Hábito de vida irregular, como o alto consumo de gorduras e produtos industrializados, baixa ingestão de frutas, verduras e fibras, sedentarismo e uso de determinados medicamentos contribuem para a elevação do colesterol. Predisposição genética também está relacionada, explicando a necessidade de vigilância mesmo em populações de menor risco aparente, tais como: jovens de peso ideal e praticantes de atividades físicas.
 
A dislipidemia se caracteriza pela presença de uma ou mais alterações dos níveis do colesterol ou das suas frações. Elevação do LDL (colesterol ruim), redução do HDL (colesterol bom) ou aumento dos triglicerídeos podem surgir juntas ou isoladas, determinando a necessidade do tratamento. O aumento do LDL é a principal dislipidemia responsável pelo risco de doenças cardiovasculares, enquanto a elevação dos triglicerídeos se associa ao risco aumentado de pancreatite aguda, doença de alta gravidade, que pode resultar em morte.
 
O conceito de Síndrome Metabólica surgiu há cerca de 30 anos, e engloba a associação de distúrbios do metabolismo, como: hipertensão arterial, diabetes, obesidade e dislipidemia, que resultam no aumento do risco de doenças cardiovasculares. Esses distúrbios estão inter-relacionados por mecanismos fisiopatológicos em comum, e estão associados ao risco elevado de infarto, AVC, tromboses arteriais de membros, distúrbios renais e outros. Diversos importantes estudos correlacionaram a dislipidemia com elevação do risco cardiovascular. Destaco o estudo interheart, que incluiu indivíduos de diversos países, dentre os quais o Brasil, e demonstrou claramente, a associação entre dislipidemia e infarto, e que o adequado tratamento da dislipidemia poderia prevenir cerca de 49% dos casos de infarto ocorrido pelos participantes deste estudo.
 
         Apesar da inegável importância da dislipidemia no risco de doenças cardíacas, mais da metade dos indivíduos dislipidêmicos permanecem com colesterol elevado, aumentando o impacto deste distúrbio na saúde da população. Três fatores estão diretamente relacionados a este dado: a dislipidemia é assintomática na maioria dos casos; a baixa adesão às mudanças do hábito de vida, incluindo dieta e exercícios; e baixa adesão ao tratamento medicamentoso, que na maioria das vezes deve ser por toda a vida. Por não sentirem nada, indivíduos com dislipidemia demoram a receber o diagnóstico e tendem a descontinuar o tratamento, mesmo quando recomendados a não o fazer.
 
         O diagnóstico surge a partir de dosagens do colesterol em exames de sangue. Os valores de normalidade do colesterol são variáveis de acordo com a idade, presença ou não de hipertensão, diabetes ou outras patologias cardiovasculares, tabagismo e histórico de infarto ou AVC prévios. Desta forma, cada indivíduo é estratificado quanto ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares (baixo, médio, alto ou muito alto) futuras, e as metas de tratamento são traçadas individualmente. A importância da dislipidemia é tamanha, que até mesmo alguns indivíduos com resultados normais do colesterol devem usar medicamentos, caso já tenham outras doenças associadas ao risco de doença cardiovascular. Recentemente, um novo consenso de dislipidemia foi publicado, estabelecendo novas metas para o tratamento, ainda mais rigorosas.
 
O tratamento requer a adoção de medidas de hábito de vida saudável, tais como: melhoria do padrão dietético, redução do peso corporal, prática de atividades físicas e combate ao etilismo e tabagismo, e em algumas situações também requer o uso de medicamentos. Estatinas e fibratos são as classes de medicamentos mais empregadas, dependendo do distúrbio lipídico preponderante, porém, outros medicamentos também estão disponíveis, e são algumas vezes necessários. Uma nova classe medicamentosa (inibidores da PCSK-9) foi recentemente aprovada para o tratamento de dislipidemias refratárias ao tratamento convencional e para algumas causas genéticas de hipercolesterolemia, com resultados promissores. Independente do tratamento escolhido, a necessidade de manutenção de mudança do estilo de vida e do tratamento continuado, com exames de sangue periódicos, são essenciais para a obtenção do sucesso terapêutico. Nunca interrompa o seu tratamento sem recomendação médica. Dislipidemia é silenciosa e grave, se não tratada adequadamente.

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