Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Valéria Rangel Monteiro Sales
Psicóloga
CRP 05 34712
Pós-graduada pelo Isecensa
valrms@yahoo.com.br
O PAPEL DO PSICÓLOGO NA CLÍNICA DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA
Para a maioria das pessoas, ter filhos e formar uma família é uma meta em determinado momento de suas vidas. O que para alguns é algo simples e natural, bastando suspender o método contraceptivo, para outros, é algo muito doloroso e difícil.

A ideia de ter filhos, algumas vezes vem cercada de expectativas e medos. Muitos de nós não fomos educados para reconhecer e lidar com nossos sentimentos e com nossas emoções, e diversas vezes, não conseguimos identificar qual sentimento que está sendo despertado naquele momento e que pode gerar paralisação e sofrimento.
 
A pessoa quando busca a reprodução assistida, geralmente traz consigo muitas dúvidas e incertezas, não só em relação ao tratamento, mas também, em relação aos seus sentimentos.
 
O psicólogo na reprodução assistida irá fazer uma avaliação para saber como aqueles que buscam esse tratamento estão se sentindo, como está o estado emocional e como cada um lida com as questões ali apresentadas, se está apto no momento a fazer essa travessia de forma mais harmoniosa ou se ainda não, e assim, poder acompanhá-los, decidindo quais intervenções serão necessárias no decorrer do tratamento.
 
Além disso, o papel do psicólogo é proporcionar aos pacientes um espaço onde possam falar e serem ouvidos em suas dúvidas, inquietudes e temores, e ajudá-los a refletir sobre as questões ali desveladas, desenvolvendo ferramentas necessárias para que assim, possam fazer escolhas conscientes e coerentes com seus desejos.
 
As entrevistas de avaliação possibilitam identificar áreas de conflito interno, possíveis conflitos no relacionamento e medos em relação aos procedimentos do tratamento.
 
Por estar muito tempo tentando engravidar, o paciente, em geral o casal, pode sentir seu projeto ameaçado, e isso, desencadeia várias sensações, e quando recebem o diagnóstico de infertilidade, muitas vezes ocorre um impacto negativo no estado emocional.
 
Tal impacto pode gerar oscilações no humor nos diferentes estágios do tratamento, um distanciamento, uma incompreensão, falta de apoio, insatisfação e comprometimento da sexualidade. Porém, dependendo da sintonia e entrosamento do casal, essas circunstâncias podem se tornar um momento de crescimento e amadurecimento afetivo na relação.
 
A infertilidade pode ser tanto feminina quanto masculina, e pode ocorrer por diversos fatores. A infertilidade na mulher afeta a forma como ela se sente em relação a si mesma, e o mesmo ocorre com o homem, podendo assim, desencadear uma crise de identidade, diminuição na autoestima, desvalorização do eu, além de vários outros sentimentos como: angústia, raiva, tristeza, depressão, culpa, medo, ansiedade, estresse, frustração, impotência, inveja, insegurança, sentimentos de inadequação, exclusão, entre outros...
 
Essa mistura de sentimentos, na maioria das vezes, se apresenta como sintomas no casal com esse diagnóstico. Nesse caso, é necessário cuidado e atenção, acompanhamento e suporte do psicólogo para que, ambos, psicólogo e paciente, busquem a compreensão desses sentimentos e tracem estratégias de enfrentamentos para resolução de problemas ali identificados.
 
O psicólogo também trabalhará questões de perdas e lutos não elaborados e a comunicação entre o casal, visando fortalecer o casal que, muitas vezes, se encontra em acentuado grau de ansiedade, estresse ou até mesmo, com sintomas de depressão.
 
A meta não é desconsiderar os sentimentos negativos, mas sim, acolhê-los e transformar alguns em força para que possam seguir no tratamento de uma forma mais saudável e equilibrada, aceitando as possibilidades e as não possibilidades, para que consigam tornar possível seu sonho, e caso não seja, que ampliem suas possibilidades e não se percam enquanto casal e nem como indivíduo.
 
O trabalho do psicólogo é fundamental junto à equipe de reprodução assistida, pois é o profissional que dará o suporte necessário para o enfrentamento das questões emocionais disparadas. Caso o paciente não receba o suporte necessário, ou inicie o tratamento sem a avaliação favorável, poderá aumentar as chances de danos à sua saúde psíquica e física.

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