Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dra. Mariana Berlink
Pediatria e Neonatologia
CRM 52 88154-6
Residência em Neonatologia no Instituto Fernandes Figeira-RJ
marianaberlink@hotmail.com
ATIVIDADE FÍSICA EM CRIANÇAS
Na era digital, o uso de telas (smartphones, tablets, jogos, televisão...) tem se mostrado o maior obstáculo no combate ao sedentarismo, e esse problema já aparece nos primeiros dias de vida de um bebê. Muitas famílias expõem seus filhos ainda recém-nascidos a vídeos e músicas como forma de acalmar e distrair o bebê, e o que percebemos na prática é que isso se torna uma constante no dia a dia da criança, e praticamente nenhuma outra atividade é realizada sem a presença de uma tela, desde passar um tempo livre, até mesmo as refeições e a hora de dormir. Percebendo esse problema, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou algumas recomendações de acordo com a idade e a etapa do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial da criança e do adolescente.

Até os dois anos de vida, a recomendação é que o tempo de tela deva ser zero, e os bebês devem ser incentivados a serem ativos, mesmo que por curtos períodos, várias vezes ao dia, em atividades supervisionadas em ambiente seguro e no chão/tapete de atividade, incluindo tempo em decúbito frontal (de barriga para baixo). Crianças que conseguem andar sozinhas devem ser fisicamente ativas todos os dias durante pelo menos 180 minutos, que podem ser em ambiente fechado ou ao ar livre, e incluir atividades leves como: ficar de pé, rolar e brincar, além de atividades mais energéticas como saltar, pular e correr. Crianças nessa faixa etária não devem permanecer em comportamentos sedentários por longos períodos, exceto quando estão dormindo. Comportamento sedentário quer dizer muito pouco movimento físico, como: passear de carro, ficar no carrinho de bebê, em cadeirinhas de descanso ou balanço e nos populares “chiqueirinhos”.
 
Já crianças de 3-5 anos devem acumular pelo menos 180 minutos de atividade física distribuídos ao longo do dia, em diferentes ambientes e que desenvolvam a coordenação motora. Atividades físicas estruturadas como: natação, dança, luta podem ser paulatinamente incluídas. Comportamento sedentário deve ser evitado e o tempo de tela deve ser limitado à 2horas/dia, e quanto menos tempo em frente às telas, melhor.
 
Crianças e adolescentes de 6-19 anos devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa (que fazem a respiração acelerar e o coração bater mais rápido), e vigorosa que seja capaz de fortalecer músculos e ossos, pelo menos, 3x/semana, assim como as atividades de flexibilidade. Atividade sedentária deve ser evitada e o tempo de tela deve ser de no máximo 2h/dia (exceto o tempo para realizar tarefas escolares).
 
Muitos pais ainda têm dúvida quanto à prática de treinamento resistido em crianças e adolescente, no qual o indivíduo é submetido a diferentes cargas para melhorar a saúde e o rendimento físico. Tais exercícios devem ser prescritos de acordo com a idade, o sexo e a capacidade física de cada um. O que se sabe é que nos períodos pré-púbere (antes do aparecimento de glândulas mamárias em meninas e antes do crescimento testicular em meninos) e púbere (após o aparecimento desses marcos) parecem ser aqueles em que o esqueleto responde melhor à carga, aumentando a massa óssea e a arquitetura do osso, pois exercícios resistidos promovem a síntese aguda de GH (hormônio do crescimento) e testosterona após a atividade. O uso do treinamento resistido pode ser especialmente interessante em crianças pré-púberes que apresentem sobrepeso ou obesidade. A prescrição do treinamento resistido em crianças e adolescentes deve envolver exercícios multiarticulares, de moderada a alta intensidade, para otimizar os benefícios para a mineralização óssea. A OMS recomenda que exercícios que aumentem a força muscular e óssea sejam realizados ao menos 3x/semana. É importante que sejam incluídos exercícios de aquecimento e proprioceptivos antes do treinamento de força e exercícios de aquecimento e alongamento após ou em sessões separadas do treinamento. É importante que a criança e o adolescente sejam capazes de entender e obedecer às orientações de profissionais de educação física para minimizar os riscos de lesões.
 
A atividade física ajuda no desenvolvimento de habilidades motoras básicas e específicas, ajuda na coordenação, melhora a função cardiorrespiratória e aumenta o gasto calórico. Tão importante quanto os benefícios físicos são os benefícios psicológicos, que incluem autoconfiança e satisfação pessoal, socialização, aprender a lidar com pressões e expectativas realísticas, além de ser uma forma de combater o mundo virtual.
 
Toda atividade física deve ser liberada de acordo com a avaliação cardiovascular do pediatra e acompanhada por um profissional da área.

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