Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dr. Márcio França
Neurologia - Neurologia Pediátrica
CRM 52 56261-8
Membro da Academia Brasileira de Neurologia
marciofrancax@gmail.com
DOR DE CABEÇA E ENXAQUECA NA INFÂNCIA
         Dor de cabeça é sempre um sinal de perigo e preocupação, já falavam nossos pais e avós na sua sabedoria popular. Ainda mais preocupante quando se tratam de crianças e jovens, uma vez que é natural se achar que, por serem crianças, não deveriam sofrer desse problema ainda, ou que, então, possa ser alguma coisa mais grave.

         Porém, uma boa notícia, é que as dores de cabeça, (tecnicamente chamadas de cefaléias), apesar de serem muitas e de causa muito variada, são diferentes na infância e adolescência em relação à vida adulta. E que existem cefaléias próprias dessa faixa etária muito comuns, que em sua grande maioria são benignas e autolimitadas. E isso, geralmente, não é conhecido pela maioria das pessoas em geral. De fato, inúmeros estudos apontam para fatos observados no dia a dia dos consultórios médicos. As cefaléias são causa frequente de ida ao consultório, principalmente na idade escolar, e costumam ser mais observadas a partir dos 8 anos de idade, sendo muito frequentes na região frontal (cerca de 49% dos casos), em toda a cabeça (cerca de 18 a 20% dos casos) e menos frequentes com características de enxaqueca (lateral) como nos adultos (cerca de 10 a 12% dos casos) atendidos.
 
         Portanto, uma verdadeira enxaqueca infantil, é menos frequente do que se imagina em relação aos adultos, mas, por outro lado, é muito importante a avaliação médica correta, uma vez que em cerca de 80 a 90% dos casos de enxaqueca infantil, existe uma história familiar positiva, também para cefaléia do tipo enxaqueca em uma ou mais pessoas, e o correto diagnóstico e tratamento nesses casos, tem maior índice de sucesso quando corretamente diagnosticados (quase 90% dos casos).
 
         Causas como: tumores, infecções, aneurismas e outras malformações são bem mais raras (cerca de 7 a 10% dos casos), mas, por isso mesmo, é importante à avaliação do profissional médico para afastar esses casos menos frequentes, mas, muitas vezes, não investigados da maneira correta.
 
         Na infância, essas cefaléias estão muito associadas ao ritmo de vida das crianças, e a fatores como:

         - Estresse emocional;
         - Ansiedade e agitação;
         - Náuseas (enjôo);
         - Vômitos;
         - Tonteira;
         - Excesso de esforço físico;
         - Excessos alimentares;
         - Ingestas de alimentos e bebidas frias (como refrigerantes, sorvetes, etc...).
 
         Muito rapidamente, podem desencadear crises de cefaléia repetitivas e frequentes, além de problemas outros como: oculares (dificuldade de enxergar o quadro na sala de aula), alergias, problemas ortopédicos, causas psicogênicas e reacionais, etc...
 
         Já na adolescência, além desses fatores, ainda estarem presentes, se somam outros próprios dessa fase, como a estimulação hormonal e as mudanças por que passa o corpo e o cérebro (sim, o cérebro também muda muito nessa fase da vida), tanto de meninas como de meninos, e que muitas vezes passam despercebido como possível causa de problemas nessa idade, além da mudança de muitos hábitos e rotinas que também contribuem para isso. Ex.: dietas sem orientação correta, hora e duração de sono irregulares, uso de bebidas alcoólicas cada vez mais precocemente, o uso de substâncias abusivas, etc...
 
         O mais importante é sempre procurar o profissional médico para orientação, seja o pediatra em geral, que irá orientar o encaminhamento necessário ao profissional adequado ao caso ou o especialista, para uma avaliação mais completa, pois, nos casos mais raros de cefaléia, é que se fazem necessárias uma atenção e investigação mais completa. Sempre evitar a automedicação de analgésicos, pois, em muitos casos, isso também é causa de cefaléia contínua e de difícil tratamento.
 
         Não supervalorizar nem desprezar uma cefaléia na infância e na adolescência, mas procurar o auxílio e ajuda do profissional correto, faz toda a diferença nessa hora. 

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