Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Fátima dos Santos Siqueira Pessanha
Psicóloga
CRP 05 09138
Graduada em psicologia pela UFF/Niterói-RJ
Pós-graduada em psicanálise e saúde mental
Psicanalista membro da Escola Letra Freudiana do RJ
fatimapsique@bol.com.br
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA O MAL-ESTAR NA CONTEMPORANEIDADE
       A sociedade brasileira atravessa um processo acelerado e crescente de situações sociais e políticas que incidem sobre a vida cotidiana, tornando-a “hiperativa” com o advento ilimitado da tecnologia sobrepondo às emoções e à singularidade das pessoas. O estresse, as exigências de ordem pessoal, familiar, social e profissional associadas à velocidade temporal comprometem a saúde física e mental do ser humano promovendo sintomas psíquicos de sofrimento como: angústia, fobias, depressão, síndromes de pânico e idéias ou tentativas de suicídio frente às demandas as quais lhe são direcionadas.
 
         Quadros e estados psicológicos citados acima afetam o sujeito independente da sua faixa etária (criança, adolescente, adulto e idoso). Requerem cuidados profissionais quando se intensificam e o imobilizam para o exercício das suas funções e atividades pessoais cujas as causas e os fatores inconscientes não forem  detectados e identificados  caso a caso.
 
         Os sintomas e os sinais destes estados emocionais constituem na falta de desejo pela vida e trabalho, desânimo, desinteresse sexual e pelas atividades e situações prazerosas de lazer e cultura, dificuldades em estabelecer planos e metas, descuido com a higiene pessoal e a aparência, nível de angústia e melancolia acentuado, isolamento social (medo, fobias), crise de choro, anorexia e outros. Vários fatores podem contribuir como: conflitos familiares e pessoais que não conseguem ser resolvidos e se expandem a outras esferas da vida; a perda de emprego, mudanças radicais de posição social e econômica, perda de pessoas familiares e próximas do seu convívio, ruptura de um relacionamento afetivo, causas estas, que podem desencadear um adoecimento psicológico de acordo com a internalização dos fatos e a particularidade da sua interpretação no contexto subjetivo.
 
         A nomeação para síndrome de pânico cabe naqueles casos em que a pessoa descreve que é surpreendida em situações do seu dia a dia por intensas sensações que se desenvolvem, rapidamente, como: sudorese, tremor, palpitações cardíacas, sensação de falta de ar, tonturas, desmaio e de desligamento da realidade, calafrios, medo de perder o controle da situação e morrer e, enlouquecer. Para não vivenciar esta situação incômoda, a pessoa constrói para si uma vida protegida e com defesas para se privar de realizar atividades novas e não se confrontar com as mesmas situações de pânico que vivenciou, apesar disso, não dar solução a questão.
 
         A experiência na clínica particular e em instituições hospitalares de saúde pública faz pensar em como a vida moderna tem sido determinante para a manifestação de um “mal-estar” coletivo, independente de classes, gêneros, faixa etária e raça. É posto e imposto ao ser humano que ele seja “pleno” e não falhe para a obtenção de um reconhecimento e um pertencimento social, criando expectativas nele que pode não atendê-las e favorecer um quadro conflituoso diante da impossibilidade de corresponder, afetando a sua vida física e psíquica. Destaque para os quadros de ideias e tentativas de suicídio que tem se apresentado de forma intensa e repetida nos espaços de saúde e precisam de uma escuta subjetivada e de um acolhimento dos profissionais, excluindo qualquer julgamento ou censura que comprometam a avaliação inicial destes episódios onde o sofrimento psíquico circula, “grita” e faz apelos para os cuidados necessários de prevenção e tratamento.
 
         A adolescência é um momento de transição e de mudanças físicas e psíquicas no desenvolvimento, favorecendo uma fragilidade e uma vulnerabilidade inerentes a esta faixa etária pela curiosidade e a impulsividade de experimentar o desconhecido a qualquer custo. Aos pais, cabe uma atenção intensificada quando o(a) adolescente manifestar comportamentos desconhecidos dos naturais do seu cotidiano que apontem modificações no rendimento escolar e afastamento das relações interpessoais na escola, insônia, inapetência, alterações de atitudes e humor frequentes que venham a interferir na sua vida pessoal, emocional, social e familiar. 
 
         Cabe ressaltar que, não devemos banalizar os sintomas atrelados e articulados aos fatos narrados por quem apresenta algum sofrimento de ordem psíquica. Para quem esteja ao redor pode parecer simples de se resolver e que “vai passar”, mas, a gravidade da questão deve ser  avaliada e tratada por  profissionais da área PSI (Psicologia e/ou Psiquiatria) que são capacitados para atuarem conforme a problemática. Os sintomas “vão passar sim”, mas, precisam ser investigados e tratados por profissionais capacitados e, dada a sua verdadeira e real importância de acordo com o relato do paciente e/ou da sua família.  

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.