Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 5231757-4
Revista Saúde Perss
Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO
carlosfabian@globomail.com
VISÃO DUPLA PODE SER SINAL DE DOENÇA GRAVE
         A visão faz parte dos 5 sentidos e ela é responsável por 80% do contato que temos com o meio exterior. Para que a visão funcione a contento, a imagem deve se formar na retina e transmitida ao cérebro que as interpreta e determina relações com a memória, permitindo a identificação do objeto que está sendo visto. Mas quando um dos componentes deste sistema apresenta algum tipo de problema, pode ocorrer a visão dupla.
  
         A visão dupla é uma condição em que o indivíduo enxerga duas ou mais imagens, como em um "fantasma" nas antigas televisões analógicas. O sistema visual normal funciona com cada olho produzindo uma imagem que são fundidas no cérebro e as vemos como uma só. Porém, na visão dupla, isso não ocorre, porque o cérebro não consegue reunir as imagens e as vê como dupla. Em alguns casos, esse distúrbio é leve e passageiro, mas em outras ocasiões, pode ser sinal de doença mais séria.

         Problemas na córnea podem ser responsáveis por visão dupla em apenas um dos olhos. Ao cobrir o olho afetado, a duplicidade desaparece. Em alterações corneanas, há distorção da luz recebida gerando a visão dupla. Essas alterações da córnea podem ser causadas por infecções, cicatrizes ou complicações cirúrgicas.

         A catarata, que é a opacificação da lente natural dos nossos olhos também é uma doença comum em causar visão dupla.

         Nossos olhos são movimentados de um lado para outro e de cima para baixo através de músculos extraoculares. Se esses músculos estiverem enfraquecidos por alguma situação, o olho não se movimentará corretamente e isso acarreta visão dupla, como por exemplo, na paralisia de algum par de nervo craniano que inerva o respectivo músculo.

         Situações que podem acarretar diplopia (visão dupla):

Astigmatismo: curvatura anormal da córnea.
Ceratocone: distorção gradual da córnea, em formato de cone.
Pterígio: aumento da conjuntiva que pode cobrir a córnea.
Catarata: opacificação do cristalino.
Luxação do cristalino: rompimento do cristalino por trauma ou doença.
Diabetes: por ser uma doença que causa neuropatia, pode conduzir a alterações nos nervos e músculos extraoculares.
Olho seco: insuficiência da produção lacrimal, causando alterações na córnea.
Miastenia gravis: enfraquece os músculos extraoculares.
Traumatismo dos músculos oculares: traumatismo na órbita pode lesar músculos que movimentam os olhos.
Doença de gravis: causa edema dos músculos responsáveis pelo movimento ocular.
Problemas na retina: por irregularidades na retina.
Inchaço nas pálpebras: compressão dos olhos levando a visão dupla.
Estrabismo: olhos desalinhados também podem levar a diplopia.   
   
         Como se vê, o oftalmologista deve ter um bom conhecimento das doenças sistêmicas, pois nossos olhos não estão dissociados do nosso corpo, e por isso, diversas patologias podem causar alterações oculares, principalmente, no caso em tela, que é a diplopia. Não se pode achar a causa de visão dupla sem tal conhecimento, pois só achamos se soubermos procurar através de uma boa anamnese, excelente exame clínico e em última instância, lançar mão de exames complementares para elucidar o diagnóstico e tratar a causa da visão dupla, que é um sintoma bastante incômodo para o paciente e quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápido o tratamento. 

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