Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 5231757-4
Revista Saúde Perss
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 31757-4
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ENTREVISTA - DR. ROGERIO VENANCIO
Dr. Rogerio Venancio, membro titular e especialista da: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, do Colégio Brasileiro de Cirurgia Geral, da Sociedade Ibero Latino Americana, da Sociedade Brasileira de Queimadura, há 25 anos atuando em Campos, vivendo a Especialidade 12h por dia, se dedicando e se entregando a dar mais dignidade às pessoas e ajudando a realizar os sonhos na mistura da arte com a ciência. Concedeu entrevista a Revista Saúde Press, revelando sua capacidade de sentir o futuro, presente nas inovações que estão já revelados, reforçando seu compromisso.

SP - Como foi à formação em cirurgia plástica. ​
RV - A graduação foi na Faculdade de Medicina de Teresópolis, A residência foi na Faculdade Gama Filho no Rio de Janeiro onde fiz três anos de residência com especializações em cirurgia geral e cirurgia plástica com mestres como: Cláudio Rebelo, professor Ivo Pitanguy e Farid Hakme, depois do Rio foram mais seis meses de estudo na USP-SP até voltar para Campos.

SP - E o começo em Campos como cirurgião plástico, como foi?
RV - Em Campos, o pioneiro na cirurgia plástica foi Lenício Cordeiro que já fazia um trabalho na área de queimaduras. Eu trouxe novos conhecimentos da cirurgia plástica e estética, realizamos as primeiras jornadas de cirurgia plástica, que também, aconteceram nas cidades de Petrópolis, Friburgo e Búzios, que até hoje faz a jornada do interior do Rio de Janeiro. Isso no período em que eu fui responsável pelo curso integrado de cirurgia plástica e programa científico da Sociedade Brasileira. E quase todas as jornadas tiveram a participação do professor Ivo Pitanguy e outros grandes cirurgiões do Brasil.

SP - E a cirurgia estética?
RV - A busca hoje é com a estética, a aparência, há uma exigência muito grande com beleza. A cirurgia plástica estética evoluiu, tanto que a cirurgia plástica brasileira é a primeira em termos de procedimentos estéticos, realizados, até mais do que os Estados Unidos.

SP - E por que aumentou tanto a procura por cirurgia plástica?
RV - Eu acredito que aumentou pela credibilidade da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em termos de resultados e de profissionais altamente qualificados. E fazemos parte desse grupo que participa de programas científicos e congressos, somos convidados para apresentar trabalhos, presidir mesas. Isso tudo é que incorpora o nosso trabalho e dá qualidade para especialidade.

SP - Para o senhor, qual a importância desse reconhecimento?
RV - Existe um outro lado que é muito mais gratificante que é poder transformar as pessoas num ser útil à sociedade em que estão afastados, são aquelas pessoas que nascem com deformidades, que são sequeladas por situações de acidentes, principalmente, por queimaduras e acidentes de trânsito. Então, a especialidade é muito rica, ela tem um aspecto muito maior do que é divulgada na mídia, vendo só parte estética.

SP - O senhor desenvolve outros trabalhos fora da clínica?
RV - Seguindo um conselho do professor Pitanguy, nunca podemos fechar os olhos e virar as costas para um paciente que necessita do nosso conhecimento. Com esse exemplo, eu criei um serviço municipal que é o CRACF (Centro de Referência de Anomalias Congênitas da Face) que atende portadores de fissuras lábio-palatino. São 786 pacientes cadastrados e 386 crianças em atendimento desde o nascimento até a fase adulta. Em alguns casos, elas vão passar por cirurgias ao longo da vida. Um trabalho social altamente gratificante.

SP - Com que idade se deve pensar em fazer uma plástica?
RV - Não existe uma idade específica, existe sim, o momento que depende de cada avaliação consigo mesmo, quando se sente incomodado com a perda da identidade.

SP - O que o paciente procura quando chega ao seu consultório.
RV - Ele procura um bem estar, uma qualidade de vida e, às vezes, nem sempre podemos realizar sonhos ou fazer milagres como um Deus. Precisamos ter sensibilidade para mostrar que a cirurgia plástica tem limitações, nós podemos, e tecnicamente, temos a capacidade de diminuir o aspecto da idade entre a biológica e cronológica.

SP - Qual o conselho do senhor para o paciente antes de fazer uma cirurgia?
RV - O mundo hoje está muito competitivo, há uma exigência maior com a aparência, a valorização do corpo, e com isso, a cirurgia plástica ganha mais visibilidade. O principal de tudo é cuidar da mente e do corpo, a pessoa precisa ter uma busca pela harmonia do interior. Não se trata somente a pele, mas o ser humano como um todo. O resultado final tem que satisfazer os dois lados, médico e paciente, que na parte estética é muito exigido.

SP - Quais são as cirurgias mais realizadas?
RV - Dentro da cirurgia plástica nacional e internacional, a mais realizada é a prótese de silicone que tem dois tipos: a poliuretano e a texturizada que são revestimentos que dão mais credibilidade e aceitação dos pacientes, as incisões quase não aparecem, não precisa de anestesia geral, pode voltar às atividades em 15 dias. A segunda cirurgia mais realizada é a lipoaspiração, depois vem a da face, mama, abdômen. Mas o importante de tudo em qualquer procedimento dentro da cirurgia plástica é a segurança, a confiança no profissional que vai conduzir o trabalho.

SP - Quais são os riscos de uma cirurgia plástica?
RV - O que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta sempre é que o paciente deve procurar por um profissional que seja titular da área, especialista credenciado, além dos exames pré-operatórios a cirurgia deve ser feita numa unidade hospitalar, não é recomendado que se faça em clinicas. Além da empatia com o cirurgião que é fundamental, ele precisa estar presente no pós-operatório e passar confiança para o paciente.

SP - Os homens também estão buscando mais a cirurgia estética?
RV - Sim, a procura do homem pela cirurgia estética aumentou 30% nos últimos anos. Ele está tentando se tornar mais competitivo com a mulher na disputa pelo mercado de trabalho e a aparência é um fator importante. A busca é pela lipoaspiração, lipoescultura, cirurgia de pálpebras e outros procedimentos de rejuvenescimento.

SP - E para o cirurgião, qual é a sensação após uma cirurgia?
RV - A maior gratificação nossa é ver o resultado, não só na hora, mas na mudança de comportamento, na atitude do paciente estar bem no aspecto físico. Hoje, nós temos procedimentos menos agressivos, retorno mais rápido ao dia a dia com resgate da autoestima, da qualidade de vida, independente da idade.

SP - O acesso à cirurgia ficou mais fácil?
RV - Antes, a cirurgia plástica era um recurso usado pela elite, hoje qualquer pessoa de classe média tem acesso mais fácil e usa a cirurgia como um investimento pessoal. As pessoas podem financiar uma cirurgia como a compra de um carro, por exemplo. E não é nada absurdo.

SP - Quais perspectivas do rejuvenescimento não cirúrgico?
RV - Há uma gama de procedimentos não cirúrgicos muito importante, com resultados que retardam o procedimento cirúrgico como: o uso do botox, preenchimento com ácido hialurônico, uso fios de sustentação para face. Isso é o progresso na cirurgia plástica, com resultados eficazes sem internação e retorno imediato ao trabalho, atenuando o processo de envelhecimento.

SP - Quais são as perspectiva de rejuvenescimento no momento?
RV - A mais interessante perspectiva de rejuvenescimento para o futuro é o projeto genoma. Já estão descobrindo fatores que são responsáveis pelo envelhecimento, imagina-se que algum dia poderemos controlá-lo geneticamente. A biotecnologia é o que há de mais interessante nas perspectivas do amanhã. Estão surgindo novos materiais que preenchem rugas e deformidades com uma qualidade antes inalcançável. Dentro da imunologia, já se desenvolve peles em laboratório com uso em queimadura e cicatrizações.

SP - Qual é o futuro da cirurgia plástica?
RV - Hoje, existe uma tendência mundial para o uso do enxerto de gordura, tanto para a face, como para outras áreas do corpo, como reconstituição óssea e de pele. Os congressos já estão apresentando trabalhos sobre o futuro da cirurgia plástica em relação à gordura, já definida como célula-tronco em reconstituições de tecidos e de membros. O futuro é acabar com a prótese de silicone no aumento do tecido mamário e só enxertar gordura. Isso já está sendo feito nos Estados Unidos. Os benefícios em relação aos preenchimentos artificiais são vários porque é uma substância do próprio corpo do paciente, sem riscos de rejeição do material. O resultado final é mais natural e o custo em longo prazo vai ser mais compensador para o paciente.

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