Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dra. Priscilla Damião Araújo Lima
Reumatologista
CRM 52 85814-5
Residência de reumatologia na UFRJ
Professora de clínica médica da FMC
prislimamed@yahoo.com.br
OSTEOARTRITE
         A osteoartrite é uma patologia caracterizada por deterioração crônica das articulações, podendo resultar em importante limitação das atividades diárias e piora da qualidade de vida do indivíduo acometido. Trata-se da condição clínica mais prevalente do sistema articular, cujo número de diagnósticos vem aumentando nos últimos anos, principalmente, em virtude do aumento da expectativa de vida da população. É uma das causas mais comuns de absenteísmo ao trabalho, constituindo-se, portanto, em um importante problema de saúde pública.
 
         Ao contrário do que se pensava até há poucos anos, a osteoartrite não é uma doença exclusivamente degenerativa, ou seja, associada apenas ao envelhecimento da articulação. Sabe-se, que ocorre um processo de inflamação articular crônica, de origem multifatorial, resultando em desgaste e deterioração progressiva da articulação, se não tratada. Desta forma, os termos osteoartrose e artrose, antes considerados sinônimos da osteoartrite, não devem ser mais empregados, por gerarem uma interpretação errônea do significado da doença, de ausência de inflamação.
 
As mulheres são quem mais sofrem com essa patologia, apesar de ser  também muito comum em pessoas do sexo masculino. Embora a osteoartrite não seja uma doença de origem genética, observa-se claramente uma predisposição maior de acometimento em indivíduos da mesma família, sobretudo quando há acometimento das articulações das mãos. A prevalência da doença aumenta com o avançar da idade, acompanhando o processo de desgaste articular.
 
O principal sintoma de um paciente com osteoartrite é a dor. Esta pode ocorrer nas mãos, acompanhada de rigidez e deformidades das articulações, limitando a realização de simples atividades manuais. Pode ser na coluna, promovendo grave desconforto para deitar, sentar ou mesmo se manter de pé. Nos joelhos, limitando pequenas caminhadas e a prática de exercícios, ou nos pés, dificultando tarefas como andar e calçar sapatos. Outras articulações, como quadril, cotovelo, calcanhar e ombro, também podem ser acometidas. Alterações anatômicas de grande conhecimento popular, tais como “bico de papagaio” e “joanete”, têm como principal causa a osteoartrite.
 
O diagnóstico é realizado através da história clínica do paciente. Uma simples radiografia pode auxiliar no diagnóstico. Exames de sangue, ultrassonografia, ressonância magnética e densitometria óssea podem ser necessários para exclusão de outras patologias concomitantes, embora não sejam obrigatórios.
 
Pacientes obesos devem ser encorajados a perder peso, visto que a obesidade resulta em sobrecarga da articulação. Atividades físicas (exercícios aquáticos, musculação assistida, fisioterapia...), quando realizadas de forma adequada, sob a supervisão de profissionais habilitados, podem auxiliar na melhora da dor por promoverem ganho muscular, perda de peso e redução da sobrecarga articular. Por outro lado, a má prática do exercício, tais como realizar esforço físico excessivo, fazer movimentos repetitivos (pular, correr, rebater bolas...), e o uso de calçados inapropriados, podem causar, perpetuar e agravar o processo de deterioração articular. 
 
Outras medidas não-farmacológicas, como: repouso, correção da postura ao sentar e caminhar, uso de talas, joelheiras e palmilhas específicas, auxílio de bengalas e andadores e mudança da consistência do colchão, podem ser necessários e fundamentais no tratamento.
 
O uso de analgésicos, anti-inflamatórios, condroprotetores, infiltrações e até procedimentos cirúrgicos, vão depender de uma série de fatores, tais como: qual é ou quais são as articulações acometidas,  gravidade da doença, idade, tratamentos prévios, doenças associadas e condições socioeconômicas do paciente. Por apresentar ampla diversidade de apresentação, além de característica de progressão da deterioração articular, se não tratada, a avaliação pelo especialista é de suma importância, visando o adequado tratamento da doença.
 
         A osteoartrite é uma condição crônica e potencialmente grave se não tratada, cujo o adequado manejo pode resultar em importante melhora na qualidade de vida do indivíduo. Apesar de incurável, a redução da progressão do desgaste articular é possível e provável através de uma correta abordagem do reumatologista.

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