Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 5231757-4
Revista Saúde Perss
Dr. Sandro Bichara Mendonça
Médico Clínico Geral
CRM 52 73856-5
Mestrado em educação e ciências da saúde - UFRJ
sandro.bichara@gmail.com
CUIDADOS PALIATIVOS – O QUE REALMENTE SIGNIFICA?
         Cuidados Paliativos (CP) teve sua definição inicial na década de 60, pela equipe clínica do "Saint Christopher Hospice", Londres.

         Visava, sobretudo, dentro das possibilidades, melhorar a qualidade de vida dos doentes portadores de câncer, em fase terminal (doentes tendo experimentado todas as modalidades terapêuticas disponíveis e, mesmo assim, a doença apresentava progressão).
 
         Progressivamente, este conceito fora ganhando novas concepções, aplicabilidades clínicas multiprofissionais, em função da percepção de que seria também possível oferecer este acolhimento e cuidados clínicos multiprofissionais protocolares a outros doentes em condições clínicas semelhantes às descritas.
 
         Nesta trajetória, destacaram-se as pessoas vítimas da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Até que em 1980, na França, nos serviços de gerontologia, os CP’s foram conceitualmente redefinidos e suas práticas ganharam novas indicações, aceitações sociais.
 
         A atual definição de CP’s proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), seria: “...uma abordagem clínica protocolar multiprofissional, que visa melhorar integralmente a qualidade de vida dos doentes, e das suas famílias; que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável, com prognóstico limitado; mesmo após ter sido pensado, proposto, realizado protocolos terapêuticos específicos para a doença; priorizando a prevenção, o alívio e o conforto do sofrimento humano; não só físico, como as dores, mas tam­bém, de outras naturezas: espirituais, psicológicas e sociais”.
 
         Devido aos dinâmicos progressos da medicina ocidental e, sobretudo, à me­lhoria das condições de vida das populações, a esperança média de vida cresceu, fazendo com que aumentassem não só o número das doenças crônicas (neoplásicas, outras), mas significa­tivamente também, o número das pessoas incuráveis. O modelo da medicina determinantemente focada na cura das doenças (obstinação terapêutica), não se coaduna com as necessi­dades dos doentes ainda incuráveis, frente à avançada medicina.
 
         Sendo, portanto, uma especialidade clínica multiprofissional relativamente recente, ainda vigoram alguns conflitos conceituais relacionados com os CP’s; de sua devida compreensão e aplicabilidade médica social. Sendo a Medicina uma especialidade laborativa que tem como principal fundamento a cura de doenças, a incondicional sustentação da vida humana, em muitos lugares, os CP’s ainda são negligenciados.
 
         Considerando a inexorável finitude humana, a real possibilidade de se oferecer aos doentes incuráveis (seus familiares e amigos), em seus momentos existenciais finais, menos sofridas condições de sobrevivências, mediante adequados esclarecimentos e utilização de recursos clínicos terapêuticos multiprofissionais protocolares: porque insistir na luta contra o invencível?
 
         Assim, percebe-se a imperativa necessidade clínica de se repensar, reorganizar o atual mo­delo de acolhimento e cuidados clínicos multiprofissionais, para que se torne adequado aos pacientes com do­enças incuráveis, nos seus momentos terminais. Pensar na possibilidade de inclusão da disciplina de Cuidados Paliativos no processo de graduação médica. Agregando ganhos muito positivos ao processo de graduação.
         Esse novo paradigma médico assistencial muito favorecerá a construção de uma realidade não excludente destes doentes especiais. Propiciando aos mesmos, um processo de morrer digno: uma “boa morte”.
 
Referências
         Chaves, J.H.B., Mendonça, V.L.G., Pessini, L., Rego, G., Nunes, R.Cuidados Paliativos na prática médica: contexto bioético.Rev Dor. São Paulo, 2011;jul-set, 12(3); 250-5.

         Falcão, E.,B.,M., Mendonça, S.B. Formação médica, ciência e o atendimento ao paciente que morre:  uma herança em questão. Rev Bras Ed Med; 33 (3); 364-73; 2009

         Kovács, M., J. Educação para a Morte. Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo. Psicol. cienc. prof.; vol.25, no.3; Brasília, 2005.

Labaki, M.,E.,P.Morte: Clínica Psicanalítica. Casa do Psicólogo, 2012; 186p.   

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