Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
OBESIDADE: UM PROBLEMA ALÉM DA ESTÉTICA
         A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal no indivíduo, como resultado de uma série de fatores, tais como: predisposição genética, erros alimentares e sedentarismo. Determinadas condições clínicas, como doenças e medicamentos, também, podem predispor ao ganho de peso, resultando em obesidade.

         Estudos epidemiológicos estimam que quase metade da população brasileira encontra-se acima do peso ideal. A prevalência de obesidade dobrou no país nos últimos 15 anos, como resultado das mudanças de hábito de vida da população. Vivemos em um cenário de facilidades na aquisição de alimentos prontos, redução do tempo para a prática de exercícios físicos, estresse emocional e industrialização das práticas diárias. Tarefas simples, como subir 2 lances de escadas, caminhar até uma banca de jornal e levantar-se do sofá para ligar a TV foram substituídas pelas comodidades do elevador, internet e controle remoto. A brincadeira de pular cordas foi trocada pelo videogame. Frutas e saladas deram espaço ao fast food o saquinho de pipoca do cinema tornou-se um balde. O tamanho das famílias reduziu, mas o tamanho do refrigerante-família aumentou. Além disso, a cobrança por resultados no trabalho fez com que a prática de exercícios ficasse relegada a segundo plano pela alegação da falta de tempo e cansaço extremo. 
 
         O ganho de peso tradicionalmente remonta para a estigmatização da aparência indesejada. O problema estético da obesidade pode resultar em retração social, e até mesmo, em grave depressão. Adicionalmente, indivíduos obesos também apresentam aumento do risco de uma série de problemas de saúde, dentre os quais hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol, osteoartrose e alguns tipos de câncer. Estudos clínicos revelam que a obesidade é o segundo fator de risco modificável mais determinante na prevalência do câncer, perdendo somente para o tabagismo. A redução de 10% do peso corporal em obesos resulta em cerca de 30% a menos no risco de morte por doenças cardiovasculares. Todos estes dados destacam a obesidade como importante problema de saúde pública nos dias atuais.
 
         O tratamento da obesidade é multifatorial. Mudanças no estilo de vida são fundamentais. Como doença crônica, a prática de dieta e exercícios deve ser contínua e não temporária. A redução da ingestão de calorias pode ser alcançada pela priorização do consumo de saladas, legumes, verduras e carnes magras em lugar de alimentos industrializados, refrigerantes, álcool, doces e fast foods. Pequenos erros alimentares, como comer rapidamente, jejum prolongado e refeições hipercalóricas noturnas podem resultar em grande ganho ponderal. Exercícios devem ser estimulados sempre que possível, respeitando-se a condição clínica do paciente. Tanto exercícios aeróbicos quanto de resistência podem auxiliar na perda do peso. A prática de atividades físicas resulta em sensação de bem-estar, aumento do gasto calórico em repouso e redução do risco de diabetes e hipertensão.
 
         Medicamentos podem ser úteis no tratamento da obesidade. A prescrição de determinado fármaco dependerá das características do paciente, das doenças preexistentes, do histórico de tratamentos prévios e de características sócioeconômicas. Recentemente, dois medicamentos foram aprovados pela ANVISA para o tratamento da obesidade no Brasil, aumentando as alternativas disponíveis, e novas terapias vêm sendo testadas em estudos clínicos em andamento.
 
Independente do tratamento medicamentoso proposto, duas dicas sempre devem estar em mente: 1 - não existe medicamento milagroso. O tratamento provavelmente só será eficaz se associado a mudanças do estilo de vida. 2 - cuidado com fórmulas extensas e tratamentos inovadores. O uso indiscriminado de substâncias derivadas de anfetaminas, termogênicos e hormônios em vistas de perda de peso aumentou significativamente nos últimos anos, e está associado ao risco aumentado de arritmias cardíacas, infarto e morte súbita.
 
         Outras modalidades de tratamento incluem o balão intra-gástrico e a cirurgia bariátrica. Tratam-se de métodos eficazes na redução de peso e muito seguros quando respeitados os critérios de inclusão e exclusão. Da mesma forma, o paciente que se submete a um destes procedimentos deve estar ciente da necessidade de manutenção de mudanças do estilo de vida e acompanhamento clínico visando otimização na perda do peso e minimização de possíveis agravos à saúde. Novos procedimentos via endoscopia e revisão dos critérios de inclusão da cirurgia bariátrica são temas atuais em endocrinologia.
 
         O tratamento da obesidade requer abordagem multifatorial e multiprofissional, e as mudanças necessárias para a adequada resposta devem ser contínuas. Muito além de um problema estético, a redução do peso em excesso está associada a melhora da qualidade de vida e minimização do risco de doenças crônicas.

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