Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 5231757-4
Revista Saúde Perss
Dra. Célia Alcantara Cunha Lima
Ortodontista
CRO-RJ 8 532
ENTREVISTA - DRA. CÉLIA ALCANTARA CUNHA LIMA
Há quatro décadas ajudando a formar novos colegas de profissão e exercendo aquela que seria sua missão. Assim, pode ser resumida a carreira da ortodontista Célia Alcântara Cunha Lima.

Coordenadora do curso de especialização em ortodontia e à frente da coordenação de pesquisa e extensão do Centro Universitário Fluminense UNIFLU, Célia se divide entre os campi e o atendimento no consultório, a Ortoclinest - Clínica Médico Odontológica, onde atua como responsável técnica da área de odontologia.

SP - Como surgiu o interesse pela odontologia?
CCL - Eu cresci querendo ser professora e atuei no antigo curso primário. A inspiração para a odontologia veio de um tio cirurgião-dentista Dr. Célio Cunha e um amigo da família Dr. Rubens Pessanha que veio a ser o primeiro diretor da Faculdade de Odontologia de Campos. À época, não havia condições financeiras para que eu me mantivesse no Rio de Janeiro para onde também fui aprovada no vestibular, e eu optei então, pelo curso que começava a ser ofertado em Campos.

SP - E, desde então, a senhora não saiu mais da FOC. Não é mesmo?
CCL - Pois é. Assim que me formei, prestei concurso para professora auxiliar de ensino, e posteriormente professor assistente e titular. Em 2003, assumi a coordenação do curso de especialização em ortodontia. Um ano depois, em 2004, a FOC passou a integrar o Centro Universitário Fluminense (UNIFLU).

SP - Hoje, além de coordenar o curso de especialização em ortodontia, a senhora também é coordenadora de pesquisa e extensão do Centro Universitário.
CCL - Sim e temos obtido importantes conquistas. Dentre outras frentes de trabalho, lançamos em 2016 duas revistas científicas que visam a divulgação da produção científica e das atividades de extensão do nosso Centro Universitário: a Revista Científica InFOC dos cursos da área de saúde e a Revista Científica Multidisciplinar UNIFLU dos cursos das áreas de ciências sociais, humanas e exatas. É um trabalho muito gratificante, que exerço ao lado da reitora Dra. Inês Ururahy.

SP - Mesmo com essa dedicação à vida universitária, a senhora atende pacientes e atua como responsável técnica da Ortoclinest, que, podemos denominar como uma clínica familiar.
CCL - As coisas foram acontecendo. Eu cliniquei por muito tempo em um prédio na área central da cidade. Meus filhos foram se formando, dois em odontologia e um em medicina. As noras também dentistas e médica foram o incentivo para a abertura, em 2005, de uma clínica médico-odontológica para que todos tivessem seu espaço para atendimento. Na verdade, ela começou só com ortodontistas, eu e meus filhos e nora, Leonardo, Vinícius e Sarita. Posteriormente com meu filho Guilherme e sua esposa Priscilla, endocrinologista e reumatologista respectivamente, incluímos o atendimento médico.

SP - A senhora observa mudanças no acesso ao serviço odontológico nas últimas quatro décadas?
CCL - Sim. O tratamento odontológico no Brasil tinha um custo com que poucos podiam arcar. Alguns tratamentos mais simples eram disponibilizados gratuitamente na rede pública ou nas faculdades. A ascensão social das classes D e E ocorrida ultimamente possibilitou o acesso de mais pessoas, antes excluídas, ao “atendimento social” na especialidade da ortodontia.

SP - A ortodontia é a especialidade da odontologia que desempenha essa dupla missão: a promoção da saúde e o aperfeiçoamento da estética?
CCL - Sim. O aspecto saúde refere-se à boa oclusão, ao mastigar bem sem apresentar dor ou desconforto. Dores ou estalidos na região da articulação temporomandibular (ATM) podem acontecer quando os dentes não se articulam bem e os sintomas estão geralmente associados ao estresse, que é importante fator adjuvante na disfunção da ATM. Os recursos para melhoria da estética são muitos na ortodontia e têm alta demanda dentre a população de praticamente todos os segmentos sociais que são atendidos em nossa clínica.

SP - A insatisfação com a estética dentária ou facial tem sido muito frequentemente a queixa principal dos pacientes. Tem uma razão para um mau posicionamento dentário?
CCL - A grande incidência de más oclusões no Brasil deve-se ao fato de sermos um país com alto componente de miscigenação racial. Características faciais diferentes herdadas do pai e da mãe, como tamanho dos ossos e dos dentes ocasionam discrepâncias dentárias e/ou esqueléticas, a que chamamos de má oclusão. Assim, diferenças expressivas no tamanho da maxila (parte superior) em relação à mandíbula (parte inferior) resultam em alterações no perfil facial, felizmente passíveis de serem tratadas. Existem ainda fatores ambientais, embora de menor importância e frequência, como hábito de chupar dedos ou uso prolongado de chupeta (além dos dois anos e meio). Podem desencadear alguns desses problemas, porém são sempre causas secundárias. Nestes casos, correção é feita pela retirada do hábito durante o crescimento. É útil avaliar os benefícios que um tratamento precoce desta natureza proporciona, pela ajuda na fonação e na deglutição, sem falar na aparência pessoal e construção da autoestima da criança.

SP - O tratamento ortodôntico é um tratamento simples?
CCL - Diria que, atualmente é um tratamento de maior fluência e menor período de tempo. É efetuado sob um minucioso planejamento, e sempre antecedido pela avaliação individual, embasada em exames de imagem. Desta forma, é possível a detecção de discrepâncias no crescimento ósseo e alterações do posicionamento dentário. Este planejamento inclui radiografias, fotografias, modelos de gesso, e eventualmente, tomografia computadorizada e ressonância magnética. O tratamento ortodôntico e/ou ortopédico facial atual no Brasil segue as mesmas tendências dos países do primeiro mundo, como a tecnologia self-ligation com fios termodinâmicos, que, dentre outras vantagem, proporciona a diminuição do tempo de tratamento. Atualmente, há grande procura da ortodontia por adultos, o que não ocorria até à década passada. Essa demanda é, em grande parte, devida à internet, que permitiu a democratização do conhecimento das diversas possibilidades no tratamento para adultos. Ainda, o surgimento dos aparelhos cerâmicos e safira, translúcidos e que se confundem com a cor do esmalte dentário, oferecem a discrição que alguns adultos procuram. No Brasil, se dá muita importância à estética. Somos um povo que aprecia a beleza!

SP - Existe uma idade em que o tratamento seja mais bem sucedido?
CCL - O ortodontista / ortopedista facial corrige alinhamentos dentários, alinhando e nivelando dentes e redireciona o crescimento facial em crianças e adolescentes. Um queixo proeminente pode ser posicionado mais para trás alterando-se o posicionamento da mandíbula (parte inferior). Uma maxila (parte superior) pouco expressiva, que proporciona ao paciente um ar de “face achatada” pode ter seu crescimento estimulado com aparatologia específica. Perfis faciais podem ser corrigidos durante o crescimento na infância e na adolescência, por volta do surto de crescimento puberal ou em alguns casos mais tardiamente, até 18 anos nas meninas e 21 anos nos meninos. Correção de posicionamento dos dentes é possível durante toda a vida, mesmo na terceira idade. As correções esqueléticas severas também podem ser corrigidas no adulto com a complementação por cirurgia ortognática, que é um procedimento realizado por cirurgião-dentista especialista em cirurgia bucomaxilofacial, procedimento complementar (e fundamental, nesses casos) ao tratamento ortodôntico.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.