Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica
Emagrecentro
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dra. Fernanda Guimarães
de Almeida Fróes
Nutrologia & Medicina Estética
CRM 52 84898-0
Revista Saúde Perss
Dr. Flávio Bastos Lemos Barreto
Médico Veterinário
CRMV-RJ 4 247
Formado em medicina veterinária pela Universidade Federal Rural-RJ
flavioblb@hotmail.com
EPM - ENCEFALOMIELITE PROTOZOÁRIA DOS EQUINOS
            EPM é uma doença neurológica que acomete os equinos causada por um parasita protozoário denominado sarcocystis neurona.

            O parasita invade o sistema nervoso do cavalo causando a doença progressiva através da inflamação do cérebro (encefalite) e/ou, da medula espinhal (mielite), provocando a encefalomielite.
 
Sintomas: o início é sutil com fraqueza, manqueira e incoordenação. Apresenta incapacidade de coordenar todos os membros (principalmente os posteriores) e equilibrar-se (devido a estes sintomas é conhecida como: ¨bambeira¨). Em alguns casos deita, tem dificuldade para manter-se em pé e permanece em decúbito.
 
            Há perda de peso e atrofia de grupos musculares, principalmente da região glútea em um dos membros posteriores. Também podem ocorrer atrofias musculares nas regiões escapular (espádua) e dorsal. No crânio, além da atrofia dos músculos  temporal e masséter, pode apresentar paralisia de nervos faciais, levando a dificuldade de deglutição com relaxamento e queda de pálpebra e lábio na hemiface afetada. Pode ocorrer paralisia de língua, cegueira e balançamento constante da cabeça.
 
            A natureza assimétrica dos sinais clínicos é importante para diagnóstico da EPM.
 
Transmissão: ocorre pela ingestão de fezes de gambá contaminadas pelo sarcocystis neurona. O gambá, o hospedeiro intermediário do s. neurona, que vive  em matas vizinhas aos locais de criação de cavalos, invade os pastos a procura de comida e defeca no local. Durante o pastoreio, os cavalos ingerem fezes contaminadas com o s. neurona, assim como pode haver contaminação nos cochos de ração, o que é mais comum em cavalos estabulados.
 
            Pesquisas recentes alertam para a possibilidade de aves e outros mamíferos silvestres apresentarem como hospedeiros intermediários do s. neurona e o transmitirem para o gambá.
 
            Animais de esporte, submetidos a treinamento intenso, parecem ser mais predispostos a desenvolver a doença. Há relatos de casos que ocorre após longas viagens, doenças debilitantes, etc..muitos clínicos alertam para casos que o animal desenvolveu a doença, mesmo sem a presença de episódios de estresse, como pode ocorrer também com éguas de cria no pasto e animais estabulados sem treinamento. A idade dos animais afetados varia de 2 meses a 19 anos.
 
Diagnóstico
 
            - Presença de claudicações (manqueiras) que não respondem à anti-inflamatórios, analgésicos e bloqueio anestésico regional no membro afetado; incluindo caso de sintomas clínicos associados a doença neurológica.
            - Coleta do liquor com resultado positivo no exame de western blot para EPM.
            - Resposta favorável com melhora dos sintomas ao tratamento com diclazuril. (diagnóstico terapêutico), muito útil para veterinários no campo e para casos onde o proprietário e o veterinário não querem submeter o animal aos riscos da coleta do líquor.
 
Diagnóstico Diferencial
 
            - Estreitamento do canal medular em raças de crescimento rápido (síndrome de ¨Wobbler¨, ou, também ¨bambeira¨, em animais em crescimento, diagnóstico com estudo radiológico da coluna cervical).
 
            - Herpes vírus (febre, doença respiratória, aborto, surtos locais e sorologia positiva para EHV-1).
 
            - Encefalomielite tipos leste e oeste (vacinação, histórico de surtos locais e sorologia positiva).
 
            - Neurite da cauda equina (hiperestesia progredindo para anestesia. Paralisia progressiva de cauda, reto, bexiga, e uretra. Ataxia de posteriores e atrofia dos glúteos é simétrica).
 
            - Raiva (diagnóstico diferencial obrigatório em qualquer encefalite, pesquisar áreas de presença de morcegos hematófagos e com histórico de mordidas do mesmo).
 
            - Traumatismo sobre  o crânio e medula espinhal (resposta terapêutica favorável ao tratamento com corticosteróides, D.M.S.O. e manitol).

            - Mieloencefalopatia verminótica (início súbito com rápida deterioração e morte. Ocorrência é rara devido aos controles parasitários).
 
Tratamento: diclazuril, nome comercial: hiprosil - Laboratório Vansil. O diclazuril é um agente coccidiostático eficiente para o uso em aves e mamíferos. Tem ação ativa contra o sarcocystis neurona, agente causador da EPM nos equinos, na dose de 5mg/kg/dia, com o tratamento de no mínimo 21 dias; conforme foi descrito na AAEP (Associação Norte Americana de Veterinários de Equinos). Em alguns casos, a administração do hiprosil foi prolongada para 90 dias, com efeitos positivos na diminuição dos sintomas.
 
            A apresentação desse produto é em bisnagas, via oral de fácil aplicação. Se faz necessário tratamento de suporte com eletrólitos e vitaminas via venosa, assim como anti-inflamatórios tipo flunixim meglunime por pelo menos 7 dias.
 
Referência Bibliográfica - manual Merck de veterinária, nona edição.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.