Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogerio Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 5231757-4
Revista Saúde Perss
Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO
carlosfabian@globomail.com
ERGOFTALMOLOGIA: A OFTALMOLOGIA DO TRABALHO
            Nos dias de hoje, é imprescindível o uso da tecnologia em nosso dia a dia: computadores, tablets, smartphones, monitores ajudam a tornar o trabalho, as atividades escolares e até a diversão mais interessante e produtiva. Porém, essas tecnologias podem trazer desconforto à saúde ocular como um todo, principalmente, no trabalho. É aí que entra a ergoftalmologia, uma subespecialidade da oftalmologia que ajuda a tornar o uso dessas ferramentas tão importantes em nosso cotidiano mais racional e menos danosa à saúde dos olhos.

            O uso de tablets, celulares e computadores é cada vez mais precoce. Não é difícil encontrarmos crianças com 2 ou 3 anos já segurando um smartphone e interagindo com os mesmos. As brincadeiras da infância parecem que foram esquecidas, já que os pais são responsáveis eles próprios por deixarem crianças tão novas utilizarem celulares. Com os adolescentes, a situação é bem grave. Até para conversar, mesmos que estejam lado a lado, utilizam-se dos telefones e seus aplicativos de mensagem instantânea. Esse uso indiscriminado pode trazer consequências sérias para a saúde ocular desde a infância. Já existem estudos em andamento que demonstram que quanto mais precoce uma criança tem contato com esses aparelhos, aumentam suas chances de serem míopes num futuro próximo. Isso porque brincam menos ao ar livre utilizando menos a visão em brincadeiras que demandem mais concentração e focalização de imagens à distância, como futebol, brincadeiras de esconde-esconde entre outras tantas.
 
            A ergoftalmologia atua com foco na prevenção e administração do desconforto e de doenças oculares que tenham relação com o ambiente de trabalho. Visa a máxima eficácia com máxima eficiência da função visual. É uma área multidisciplinar e que se relaciona ao oftalmologista para que este possa ter o entendimento de queixas oculares relacionadas ao trabalho e ao seu ambiente.
 
            Com relação à salas mal iluminadas, a ergoftalmologia recomenda especial atenção, principalmente, aos focos de luz no campo de visão do trabalhador. Neste tipo de ambiente tem-se um maior cansaço e fadiga dos músculos oculares. Em ambientes com lâmpadas de halogênio metálico (luz azul imperceptível), muito difundidas em certos ambientes de trabalho há o risco de degeneração macular. As empresas precisam estar atentas à importância de investirem na saúde ocular de seus trabalhadores a fim de evitar o "absenteísmo" e a baixa produtividade. Dependendo das condições do ambiente de trabalho, há o risco de prejuízo à visão de modo irreversível. Empresa que cuida dos olhos do trabalhador aumenta sua produtividade, e consequentemente, traz benefícios para todos.
 
            Arquitetos e engenheiros podem ajudar a tornar um ambiente de trabalho mais confortável. É nesse ambiente, onde a visão será essencial, que esses profissionais devem pensar na luminosidade, ergonomia dos móveis, cores da parede, incidência de raios solares em determinadas horas do dia. É fundamental também, a participação dos trabalhadores através da CIPA, médico do trabalho, psicólogos e enfermeiros. Por isso, o caráter multidisciplinar da ergoftalmologia. Com a popularização das novas tecnologias, as principais queixas dos pacientes são: sensação de olho seco, ardência, sensação de areia nos olhos, além do cansaço visual para a leitura, principalmente, após um curto período. O olho seco funcional é descrito como uma das entidades comuns em microclima ou macroclima de trabalho, onde os olhos são submetidos aos mais variáveis agentes agressores, em decorrência da umidade, temperatura e velocidade do ar ambiente. A astenopia ocupacional, que é o cansaço visual ocorre em condições desfavoráveis no ambiente de trabalho. É caracterizada por sintomas decorrentes da alteração da superfície ocular, determinada por alterações do filme lacrimal durante a jornada de trabalho ou por alterações decorrentes da motilidade ocular por esforço acomodativo devido a atividades oculares intensas como passar muitas horas à frente de um monitor. Com isso, sintomas como dor de cabeça, visão dupla ou borrada e sensação de areia são queixas frequentes.
 
            Esses pacientes, com várias queixas, procuram o oftalmologista e após uma minuciosa anamnese e exame, não se detecta nenhuma alteração clínica significativa, o que faz o médico considerar as condições de trabalho do paciente. É descrito que alterações do filme lacrimal durante as jornadas de trabalho em ambientes inadequados, ou pouco ergonômicos, é um fator determinante para a maioria dos sintomas da astenopia.
 
            Medidas pessoais podem amenizar esses sintomas em ambientes não planejados. O controle das condições de iluminação, ventilação e temperatura local podem minimizar os sintomas. O ar condicionado deve estar a uma temperatura agradável e é importante que o ambiente onde ele se encontra tenha um vaso com água, a fim de umidificar o ambiente e prevenir o ressecamento do ar, e por conseguinte, dos olhos. A cada hora de trabalho é importante que o trabalhador permaneça por alguns minutos com o olhar apontado ao infinito, a fim de relaxar a musculatura que envolve os olhos. O ato de piscar com frequência também é recomendado para permitir o aumento da produção lacrimal e uma maior difusão da lágrima pela superfície ocular, renovando-a e evitando o seu ressecamento e aumentando a proteção dos olhos.

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